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O GAE

O GAEPOA é composto por nove diretores e por um amplo círculo de apoiadores e voluntários.

Respondem pelo Grupo as seguintes pessoas:

  • Elzira Prestes
  • Helena Dutra
  • João Manoel Maldaner Carneiro
  • Juan Maiz Lulkin Flores da Cunha
  • Luciane Bossle
  • Luis Maccarini
  • Maria de Nazareth Agra Hassen
  • Róber Bachinski
  • Silvana Sita

Seu círculo de apoiadores, sem os quais o GAE pouco conseguiria, comungam da idéia de que a finalidade do grupo é a divulgação do veganismo como forma de defesa animal, os estudos aprofundados sobre direitos animais, a busca de soluções jurídicas e a pressão social em plataformas que visem ao não uso e a não exploração dos animais sob qualquer aspecto.

O Grupo pela Abolição do Especismo de Porto Alegre (GAE–PoA) reúne interessados em pesquisar e divulgar alternativas às práticas de exploração animal; incentivar alimentação e consumo que respeite os animais, não agrida a natureza e a saúde; conscientizar sobre a responsabilidade para com todos os seres sencientes.

Todo o trabalho é voluntário, e as pessoas estão unidas pela vontade de conhecer os fundamentos filosóficos dos direitos animais e do veganismo e de atuar em prol da abolição da escravidão animal. Diferente de muitos outros agrupamentos em que se defendem interesses próprios, o GAE não tem outras recompensas na sua luta que não a prática de justiça em relação a estas vítimas do especismo humano. Conheça logo abaixo a nossa Carta de Princípios, baseada na Carta do GAE-FLORIPA.

Além do GAE FLORIPA, é também atuante o GAE RIO GRANDE, da cidade de mesmo nome.

Estrutura do GAE-POA:

  • Departamento de comunicação digital e do jornal O Abolicionista
  • Departamento de relações com imprensa
  • Departamento de finanças
  • Departamento de Mobilização e Criação de Campanhas
  • Departamento de Materiais de Divulgação
  • Comissão de Estudos

Fale conosco:

Utilize o e-mail gae.portoalegre@gmail.com

Grupo pela Abolição do Especismo

Carta de Princípios

Fundamentação

Especismo foi um termo criado pelo filósofo Richard D. Ryder e depois bastante utilizado principalmente pelo filósofo Peter Singer para definir o preconceito dos seres humanos em relação às demais espécies. Essa perspectiva estabelece um paralelo com o racismo e o sexismo. Especismo, racismo e sexismo são preconceitos que se baseiam em aparências. Se o ser em questão não tem uma aparência externa igual à do discriminador, ele deixa de ter seus interesses atendidos do ponto de vista moral.

Isso acontece ainda que esses interesses sejam exatamente iguais aos daquele que discrimina e também quando o interesse do ser não-humano é mais básico, vital e importante (por exemplo, o interesse em não sentir dor), em contraste com uma banalidade, futilidade desnecessária daquele que discrimina (como a busca por um alimento específico ou a tortura de um animal para obter-se um shampoo, detergente, cosmético, etc.).

Alguém pode objetar que seres humanos são racionais e devemos respeitá-los devido à posse dessa habilidade. Porém, se seguirmos a crítica feita a esse critério por Singer, tal critério exclui milhares de humanos: bebês (que ainda não possuem a capacidade plena da razão), idosos senis com doenças degenerativas da mente, pessoas em estado de coma (que já perderam a capacidade plena da razão), pessoas que nasceram com doenças cerebrais graves (que nunca tiveram a capacidade plena da razão).

Aliás, em última análise, esse critério exclui a todos nós, porque podemos, a qualquer instante, por acidente ou doença degenerativa, perder a faculdade da razão e nos encontrarmos nessa mesma situação; e já que não admitiríamos ser explorados caso estivéssemos nessas condições, estaremos sendo incoerentes se explorarmos os animais não-humanos por esse motivo. Além disso, a ciência mostra, cada dia mais, a capacidade de raciocínio em espécies não-humanas.

Então, como já disse o filósofo Jeremy Bentham, não importa se o indivíduo em questão pode falar ou raciocinar, importa é se ele pode sofrer. Então, sabendo que as demais espécies animais sofrem física e psicologicamente, se não repensarmos seriamente nossos costumes e hábitos (principalmente de consumo), estaremos sendo tão preconceituosos quanto aqueles que discriminam o outro pela cor da pele ou pela formatação biológica do aparelho genital.

O período pós-industrial agravou consideravelmente o sofrimento animal, principalmente a partir da conceitualização dos animais não-humanos como mercadorias, submetendo-os a formas de produção e lucro perversas, visando ao aproveitamento máximo de seus corpos. A ciência, no seu progresso, passou a utilizar, em ritmo acelerado, animais em experimentos tais como os de vivissecção (experimentos com animais vivos). As empresas, com a intenção de não sofrerem processos por danos causados pelas substâncias químicas presentes em seus produtos (que apresentam como absolutamente necessárias à vida humana), pretendem garantir-se apresentando relatório dos testes com animais.

Paralelamente, nos últimos tempos, ganhou força, na sociedade, um movimento de valorização da “companhia” animal, sobretudo nos grandes centros urbanos, em que a solidão e o isolamento dos indivíduos criaram vazios existenciais. Com isso, houve valorização dos animais domésticos, ainda que siga faltando um real reconhecimento de que são sujeitos de direito e, como tais, não deveriam sofrer discriminação de raça, nem ser submetidos aos procedimentos de criatórios e/ou serem vendidos como mercadorias e encarados como símbolo de prestígio.

Tornou-se rara, quase inexistente, nesses centros urbanos a figura de meninos com estilingues, passando a morte dos animais a ser repudiada, assim como, em algumas classes sociais, manifestou-se o repúdio à utilização dos animais de tração nas vias públicas.

Entretanto, por conta dessa nova consciência animal que chegou ao homem comum, o assassinato de animais - que garante alimentação, vestuário e higiene - passou a ocorrer em lugares cada vez mais secretos, garantindo a plastificação da morte. Nos supermercados, as embalagens dão nova roupagem aos cadáveres, a publicidade mostra o feliz porco que vira salsicha, as galinhas sorridentes que “doam” ovos e as vacas satisfeitas por esvaziarem seus úberes nos copos e xícaras da família feliz no café matinal.

Com isso, se apaga das consciências o processo de crueldade, escondem-se as vidas torturadas e as mortes dolorosas. O senso comum acredita que os produtos dermatologicamente testados são seguros, assim como crê que o sacrifício de alguns animais não-humanos seja fundamental para a cura das doenças humanas, e esteja, portanto, moralmente justificado. Ocorre que nem são tão fundamentais, nem garantem a cura (e ainda experimentos dessa natureza já causaram grandes tragédias humanas, como o caso da talidomida). Nos bastidores das empresas e das universidades, sabe-se que a realidade não é essa. Experimentos desnecessários são realizados, procedimentos cruéis poderiam ser evitados. A utilização de animais em parques, zoológicos, circos, rodeios, touradas e corridas segue sendo encarada com naturalidade.

Uma vez que as pessoas tomem conhecimento do que se passa por trás da falsificação da publicidade e que encarem aquilo que de certa forma intuem, a mesma consciência que muitos já tomaram do abandono e maus tratos aos animais domésticos se estenderá a todas as espécies que sentem dor, reconhecem seus familiares e temem sofrer e morrer.

A luta contra a discriminação está embasada nos mesmos fundamentos daqueles que defendem o fim da discriminação por raça ou sexo. Como bem já disse o filósofo Jeremy Bentham: “A questão não é eles podem pensar?, tampouco eles podem falar?, mas sim eles podem sofrer?".

A causa antiespecista visa defender aqueles que são explorados e, principalmente, os que não podem se defender sozinhos.

Porém, a questão está para além do sofrimento. É possível se causar um dano a alguém sem qualquer vestígio de sofrimento físico e psicológico. Se o único problema ético fosse este, não causar dor, a moralidade humana poderia ser plenamente alcançada com o emprego da analgesia. Então, defendemos que animais não-humanos, assim como humanos, têm direitos, inclusive o direito de não terem suas vidas retiradas por ações humanas (ou não-ações, como, por exemplo, negar ajuda), mesmo que o ato seja feito sem causar dor ou sofrimento, salvo em casos em que a morte em questão sirva para evitar um sofrimento ainda maior para o ser que foi morto (e, nesse caso, a morte deve ser indolor).

Logo, sustentar a posição de direitos para humanos e negá-las a não-humanos é uma atitude especista. Animais não-humanos possuem valor inerente, no sentido de que eles se importam com sua própria vida, mesmo quando não haja mais ninguém a se importar com ela. Esse valor não depende do julgamento vindo de fora, mas unicamente do ser que vive tal vida. “O valor inerente, por não ser relativo a nenhum outro, não pode ser possuído em maior ou menor grau.” Ou seja, todos que o possuem, possuem igual estatura moral.

Então, não interessa se um experimento científico irá salvar bilhões de vidas. Se não admitimos sermos utilizados em tais experimentos contra nossa vontade, é incoerente e irracional sustentarmos a posição de que devemos obrigar outros seres a darem suas vidas para o mesmo fim, sendo que nenhum deles se ofereceu voluntariamente.

É preciso rever toda a nossa formatação mental especista, que vê os seres não-humanos como se não tivessem um fim em si mesmo, mas apenas com valor instrumental (ou seja, só têm valor na medida em que servem para algum interesse humano).

Assim sendo, os grupos antiespecismo lutam pelo fim de todas as práticas exploratórias realizadas pela espécie humana contra as demais espécies (sejam elas dolorosas ou não), bem como a exploração e discriminação de uma raça sobre outra, de uma etnia sobre outra, de um sexo sobre outro, pois a lógica que guia o princípio da igualdade é a mesma.

É nessa conjuntura que surgem os primeiros Grupos AntiEspecismo do Brasil, o de Florianópolis e, posteriormente, o de Porto Alegre.

Forma de atuação do GAE

O GAE pretende atuar fundamentando as ações e manifestações antiespecistas, discutindo a base conceitual do antiespecismo, fazendo conhecê-la nas suas diversidades estratégicas e argumentativas. Caracteriza-se como grupo de debate, de promoção do ativismo e de apoio à atuação de outros grupos ativistas.

Visa propiciar, de maneira mais clara e objetiva possível, meios de troca de informação, experiências e reflexão. O processo envolverá as seguintes ações:

  • Criação e desenvolvimento de espaços de discussão sobre o antiespecismo;
  • Desenvolvimento de projetos, protestos e campanhas educativas com ou sem parceria de corporações públicas ou privadas;
  • Elaboração e organização de petições, cartas-protesto, materiais educativos e instrutivos (panfletos, cartilhas, e-mails, vídeos, documentários, etc.), ampliando a capacidade de argumentação;
  • Dicas e informações sobre vegetarianismo, veganismo e movimentos afins;
  • Divulgação e esclarecimentos sobre alternativas à experimentação animal, seja em universidades ou em laboratórios privados.

A proposta do GAE é ajudar a expor à população humana, de forma pacífica, clara e coerente, a realidade a que nossos olhos não têm acesso. Estamos amplamente interessados em pesquisar e, principalmente, divulgar alternativas às práticas de experimentação animal nos mais diversos tipos de laboratórios existentes; incentivar a alimentação e outras formas de consumo que respeitem os animais e propiciar à população meios de conscientização sobre a necessidade da responsabilidade para com os animais domésticos (o que inclui guarda responsável, adoção de animais abandonados e esterilização).

O GAE se posiciona:

  • Pelo fim da criação de animais para o consumo humano, seja ela por métodos de produção industrial em larga escala ou não, dolorosa ou não (incluindo não somente carne, mas leite e ovos e qualquer outro fim para o qual se possa criar), visto que abominaríamos criar humanos ou sermos criados para o mesmo fim.
  • Pela abolição total da experimentação animal em seu âmbito educacional, em testes de toxidade de produtos industriais e na pesquisa, pois esses testes não respeitam o princípio da igualdade e estão embasados numa matriz de pensamento antropocêntrica e especista, ou seja, são eticamente injustificáveis.
  • Pela substituição dos modelos animais na experimentação por métodos alternativos, na pesquisa, no ensino e na indústria.
  • Pelo fim da utilização de animais não-humanos na indústria de entretenimento (incluindo circos, rodeios, touradas, exibição de mamíferos marinhos, corridas de cavalos, de cães, e qualquer outra prática que utilize o animal como um meio para se chegar a um fim).
  • Pelo fim da utilização de animais não-humanos em toda produção industrial, incluindo a indústria de peles e outros produtos tais como película de filme fotográfico ou cinematográfico, etc.
  • Pelo fim da criação comercial de animais de estimação (pelo mesmo motivo de tratar seres não-humanos como mercadorias e pelo fato de que abominaríamos criar humanos ou sermos criados para o mesmo fim).
  • Pela responsabilização dos seres humanos em relação aos animais domésticos e pela não discriminação das raças dos animais domésticos.
  • Pelo fim do preconceito entre raças, etnias, orientações sexuais, crenças e, naturalmente, espécies.
  • Pela divulgação da filosofia do veganismo (opção de vida que procura excluir, tanto quanto possível, todas as formas de exploração para com o reino animal, seja para alimentação, roupa ou qualquer outro propósito).
  • Pela mudança da formatação mental que faz subjugarmos tudo o que é diferente e singular.

Referências Bibliográficas:
BRÜGGER, Paula. Amigo Animal: reflexões interdisciplinares sobreeducação e meioambiente: animais, ética, dieta, saúde, paradigmas.No prelo (Editora Letras Contemporâneas).
GREEK, Ray C.& GREEK, Jean S. Sacred cows and golden geese - the human cost of experiments on animals. Foreword by Jane Goodall. New York/London: Continuum, 2000.
FRANCIONE, Gary. Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog? Filadelfia, Temple University Press, 2000.
FELIPE, Sônia T. Valor Inerente e Vulnerabilidade: Critérios Éticos Não-Especistas na Perspectiva de Tom Regan. 2006
FELIPE, Sônia T. Crítica ao especismo na ética contemporânea; a proposta do princípio da igualdade como princípio da igual consideração de interesses
REGAN, Tom. Jaulas Vazias. PortoAlegre: Lugano, 2005.
SINGER, Peter. Libertação Animal. Porto Alegre: Lugano, 2004.

O texto original, no qual a carta de princípios do GAE Porto Alegre está baseada, foi escrito por Luciano Carlos Cunha e Pedro Santana Teixeira, do GAE Florianópolis, ao qual agradecemos a cedência e a compreensão pelas modificações que fizemos em Porto Alegre.

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