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NOTÍCIA

Protesto contra a Cavalgada do Mar reuniu manifestantes em frente ao Palácio do Governo


27 de Fevereiro de 2010

No dia 26 de fevereiro, manifestantes protestaram contra a Cavalgada e entregaram a Carta Aberta a representante do Governo Estadual.


Correio
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Defensores de animais independentes e representantes das entidades que assinaram a Carta Aberta Aos Gaúchos de Bom Senso compareceram no final da tarde do dia 26 de fevereiro à Praça a Matriz de Porto Alegre, o centro político do Estado, onde se situam o Palácio do Governo e a Assembleia Legislativa. Portando faixas e cartazes que pediam o fim da exploração animal e o fim da Cavalgada do Mar, os participantes leram a Carta e outros materiais que denunciam os abusos cometidos no evento, patrocinado com verba pública (por meio de órgãos vinculados ao Estado e pelo próprio Estado).

A Carta Aberta foi entregue pessoalmente ao Chefe da Casa Civil Adjunto, Leonardo Hoff, que recebeu uma comissão de representantes de entidades de defesa animal, entre elas, o Movimento Gaúcho de Defesa Animal, o Grupo pela Abolição do Especismo e o Grupo Gatos & Amigos.

Neste ano, o percurso da Cavalgada sofreu alterações em relação a jornadas anteriores para garantir que a atual Governadora Yeda Crusius pudesse posar para fotos. A cavalgada contou também com a presença da polêmica Secretária da Cultura do Estado, Mônica Leal, que tem sido ridicularizada em vários blogs e sites na internet, entusiasta da Cavalgada e de bailes de debutantes, que considera eventos culturais.

Independentemente da questão política e de financiamento, o protesto foi movido pela indignação popular no que diz respeito aos maus tratos impostos aos cavalos. Da perspectiva dos direitos animais, o eventual comprometimento de parte da organização da Cavalgada de garantir melhores condições aos cavalos não é solução para o caso e por isto o pedido de fim do evento.
Algumas declarações do Coordenador da Cavalgada do Mar acabaram por mobilizar outros setores da sociedade, como as mulheres, “tradicionalmente” diminuídas no seu papel e homenageadas na atual cavalgada na condição de “prendas”:

Que culpa eu tenho se tu matas o teu cavalo? Morreram dois, o que é natural. Se morrerem 15 cavalos, não tenho nada com isso. Quem sou eu para dizer que alguém não pode participar? O animal tem de ser preparado. Esse é um problema do dono do cavalo. É como mulher. Se tu não tratares bem, vais levar guampa – diz Romera. (Zero Hora, 26/2/2010)

A declaração, publicada no jornal Zero Hora, vem sendo alvo de chacota e irritou até mesmo tradicionalistas menos toscos, por ter mais uma vez evidenciado a estreiteza do tradicionalismo. Um conhecido folclorista gaúcho, Paixão Cortes, descaracterizou a Cavalgada:

É simplesmente uma caminhada a cavalo. Não há pesquisa ou questionamento sobre nada. Não serve para questionar os problemas do Rio Grande. É um passeio. É comer, beber e dar risada. (Zero Hora, 26/2/2010)

No seguimento da mobilização pelo fim da Cavalgada do Mar, os grupos organizadores do protesto pressionarão os patrocinadores Banrisul, Sulgás, CEEE e Governo do Estado, bem como seguirão conclamando a população, os gaúchos de bom senso, a rechaçarem tal patacoada do Mar, poluidora das areias do frágil ecossistema litorâneo e exploradora dos cavalos, as grandes vítimas do sem propósito evento.

Os organizadores do protesto também avaliaram positivamente o papel da imprensa da capital e do interior que colocou o tema em pauta, provocou o debate e propiciou que termos como abolicionismo, veganismo e direitos animais fossem ouvidos, em muitos rincões, talvez pela primeira vez.




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Tag tradicionalismo cavalos protesto ativismo cavalgada
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