GAE - Grupo pela Abolição do Especismo - Porto Alegre http://www.gaepoa.org O GAE apresenta informações e artigos sobre a teoria abolicionista dos Direitos Animais, o estilo de vida vegano e as atividades de ativismo do grupo. pt-br 06/09/2008 21:21:16.174607 Obrigados, Jornal do Comércio e Agência E21 Campanha do Jornal do Comércio na Expointer sugere o veganismo  Não precisa de comentários...   ]]> TAPES, NÃO AO RETROCESSO O município de Tapes implantou serviço de carroças para coleta de lixo.  Envia o e-mail abaixo, mostrando teu desagrado. Podes modificar a mensagem ou aproveitar a que sugerimos. O importante é sermos educados e contundentes. Não esquece de colocar nome, RG e cidade ao final do e-mail. ]]> O direito dos animais em foco nas Tvs Assembléia e Justiça, canais 16 e 8 da NET Submissão de animais destinados ao consumo humano a métodos cruéis de criação e, ainda, pesquisas em cobaias de laboratório. Estes são alguns dos pontos destacados no programa “Conhecendo o Ministério Público” que, nesta semana, chama a atenção dos telespectadores para os “direitos dos animais”. 29/08/2008 - Geral O direito dos animais em foco Por: Jorn. Marco Aurélio Nunes Este é o tema do programa "Conhecendo o Ministério Público" desta semana nas Tvs Assembléia e Justiça, canais 16 e 8 da NET Submissão de animais destinados ao consumo humano a métodos cruéis de criação e, ainda, pesquisas em cobaias de laboratório. Estes são alguns dos pontos destacados no programa “Conhecendo o Ministério Público” que, nesta semana, chama a atenção dos telespectadores para os “direitos dos animais”. A entrevista com o promotor de Justiça de Pelotas Jaime Chatkin, autor de um belo trabalho abordando temas de direitos dos animais, foi gravada no estúdio da TV Ucpel. O quadro, apresentado pelo jornalista Marco Aurélio Nunes, será exibido em todo o Estado, pela TV Assembléia, às 11h30min deste sábado, dia 30, no canal 16 da NET. Reprise acontece no domingo, 31, às 8h, mas somente para o Interior, e quarta-feira, 3/9, às 8h. Nos dias 7/9, domingo, às 9h30min, e 9/9, terça-feira, às 6h, através da TV Justiça de Brasília, canal 8 da Net, o programa será veiculado para todo o Brasil. A TV da Universidade Católica de Pelotas, através dos canais 15 da NET e 21 da Viacabotv, também exibirá o programa nos dias 29, às 16h, 2/9, às 16h30min, e 3/9, às 20h Agência de Notícias imprensa@mp.rs.gov.br (51) 3224-6938 ]]> Seu Wilson é notícia Wilson, Caramelo e Anita, bons amigos.Seu Wilson jamais cogitaria de ter ou trabalhar num açougue... ele tem uma fruteira . A fruteira fica numa movimentada rua em Porto Alegre, um pouco abaixo do primeiro restaurante 100% vegano da cidade. Seus grandes amigos são o casal Anita e Caramelo, uma galinha e um galo. Pela beleza dos dois, pode-se ver como são bem cuidados e é melhor não perguntar a ele se o casal um dia poderá ir para a panela, pois ele se ofende. Criado entre animais aos quais sempre tratou como família na Ilha da Pintada, uma vez transferido para Porto Alegre, não abriu mão de viver na sua companhia. Na parte de dentro, outra galinha está bem acomodada numa grande caixa de papelão com seus filhotes. A família está aumentando e seguirá unida. Estes ainda não podem passear na rua. Enquanto isso Anita e Caramelo desfrutam dos pequenos canteiros de terra da calçada e jamais se aventuram pelo leito da rua onde passam carros sem parar. Estão constantemente supervisionados por seu Wilson. O caso das galinhas da rua Santo Antônio mostra como galinhas e galos são animais que, como nós, gostam de viver, de relacionar-se, de estar entre os seus, até mesmo quando a vida na cidade nos distancia tanto das formas naturais de ser. Para nós, seu Wilson é notícia. ]]> TAPES: Quando um município retrocede Na contramão do mundo, a prefeitura de Tapes investe em carroças para coleta de lixoParece surreal. Porque cidades do interior que tantas vezes servem de exemplo de qualidade de vida são capazes de tamanho retrocesso não se explica pelo povo. Explica-se pela classe política, capaz de tomar iniciativas e ter idéias tão retrógradas como esta. Lê aqui a matéria completa. E envia por aqui o teu protesto! ]]> Fragorosa derrota para os animais A lei Arouca, aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, será encaminhada a mais duas Comissões no Senado. Sob a falsa aparência de minimizar a dor de animais em experimentos científicos, como consta na manchete abaixo, a experimentação animal será amplamente apoiada pela lei. Todos os procedimentos laboratoriais serão legitimados. Notícia da Agência Senado: COMISSÕES / Constituição e Justiça 06/08/2008 - 12h13 CCJ é favorável a projeto que minimiza dor de animais submetidos a pesquisa científica A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou nesta quarta-feira (6) parecer do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) favorável a projeto oriundo da Câmara dos Deputados que estabelece rigorosos critérios para utilização de animais em pesquisa científica. Na prática, o projeto (PLC 93/08) tem por meta poupar ao máximo do sofrimento e da dor o animal quando submetido a procedimentos em laboratórios para fins de ensino e pesquisa. Apresentado em 1995 pelo então deputado Sérgio Arouca - já falecido -, o projeto considera como atividade científica toda aquela relacionada com ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento tecnológico, produção e controle da qualidade de drogas, medicamentos, alimentos ou quaisquer outros procedimentos testados em animais. A proposta desconsidera, entretanto, como atividade de pesquisa, as práticas zootécnicas relacionadas à agropecuária. O projeto cria o Conselho Nacional de Experimentação Animal (Concea). Entre as suas atribuições, destacam-se a formulação de normas relativas à utilização humanitária de animais com a finalidade de ensino e pesquisa científica, além do credenciamento de instituições para criação e utilização de animais a serem submetidos à ciência. Também caberá ao órgão monitorar e avaliar a introdução de técnicas alternativas que substituam a utilização de animais, tanto no ensino quanto na pesquisa. A proposta determina ainda que os animais só poderão ser submetidos a intervenções desde que elas sejam recomendadas nos protocolos dos experimentos que constituem a pesquisa ou programa de aprendizado. Além disso - acrescenta o projeto -, os animais utilizados deverão receber cuidados especiais antes, durante e após o experimento, conforme determinação estabelecida pelo Concea. Entre as recomendações, está a proibição do uso de bloqueadores neuromusculares ou de relaxantes musculares em substituição a substâncias sedativas, analgésicos ou anestésicas. O senador Osmar Dias (PDT-PR) enalteceu o projeto, mas alertou que, devido aos 13 anos em que a matéria tramitou na Câmara dos Deputados, poderia estar defasado. Em resposta, opresidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), informou que a matéria, ao ser analisada no semestre passado pela Câmara, sofreu várias alterações, incluindo aquelas sugeridas pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O projeto segue agora para análise de mais duas comissões: a de Educação, Cultura e Esporte (CE) e a de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), onde será votado em decisão terminativa.           Cláudio Bernardo / Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado) ]]> A Miragem existe Integrantes do GAEPOA vão a São Francisco de Paula conhecer a famosa livraria.Integrantes do GAEPOA e SVBPOA subiram a serra e conferiram se a Miragem era real. Não há em Porto Alegre livraria que concorra com esta em termos de estrutura e beleza. Recebidos pela sua dona, a simpaticíssima ex-pecuarista e vegetariana Luciana Olga Soares, passamos uma tarde agradável de conversas sobre livros, vegetarianismo e respeito aos animais. A livraria tem vários ambientes, todos muito convidativos. E uma seção dedicada a livros vegetarianos e sobre direitos animais.   Mas, como o Grupo não se ocupa só dos prazeres,  no dia seguinte houve um manifesto-relâmpago com farta distribuição de material informativo sobre animais no centro de São Francisco de Paula. ]]> Animais não são mercadoria Para os criadores, filhotes são produtos e mamães são matéria -prima. Se você acha que seres que amam, constituem família e sofrem com a perda de seus filhos merecem ser vistos dessa forma, vá em frente: compre um filhote e contribua com a escravidão de mães e com a destruição de famílias. Mas pense bem: adotando um animal abandonado você salva uma vida e ganha uma amizade sem valor. Não compre: adote! ]]> Você ainda vive na idade da pedra? O uso de animais como vestimenta Nós, animais humanos, utilizamos há muito tempo peles, couro e lã, materiais que, para serem extraídos, requerem a morte, ou o sofrimento e confinamento em escala industrial de animais. Você pode visualizar o vídeo Terráqueos abaixo para conhecer melhor esta realidade. Foi extraída a parte sobre peles, mas se você preferir pode ver o vídeo completo aqui. Peles Além de feias, estas vestimentas são desnecessárias, uma vez que podemos utilizar peles falsas ou diversos outros tecidos para nos aquecermos. Mundialmente, o mercado de peles vem sendo reconhecido como cruel e arcaico. Grifes renomadas como Ann Taylor, Stella McCartney, H&M, Forever 21, Gap Inc., Banana Republic, Polo Ralph Lauren, Victoria&’s Secret, Tommy Hilfiger, Kenneth Cole e Calvin Klein não usam mais peles em suas coleções e a líder Prada não apresentou peles em sua nova coleção outono-inverno. Celebridades como Dennis Rodman, Joaquin Phoenix, Bea Arthur, Charlize Theron, Sharon Osbourne, Pamela Anderson, Pink e Kim Basinger realizam campanhas voluntárias contra seu uso. Logo, se você quer estar na moda, faça uma escolha consciente: não compre peles, couro ou lã. O motivo disto é muito simples: Os animais usados para a vestimenta sentem dor, stress, buscam a liberdade, precisam de amplos espaços, querem conforto, comida e o direito de criar seus filhos, assim como nós. Um dos animais mais utilizados para pele no nosso país é a chinchila. Monogâmicas por natureza elas são forçadas pelos criadores a estabelecerem relações poligâmicas. Como matrizes, ficam até 15 anos presas com um colar no pescoço, incapazes de movimento. Após este período têm o pescoço quebrado e sua gaiola dá lugar a outra reprodutora. Como todo animal selvagem, as chinchilas estão acostumadas a viver em amplos espaços. Mesmo assim os criadores defendem que "apartamentos pequenos não são motivos para deixar de ser criador de chinchilas, pois elas não precisam de muito espaço para viver". Não devemos nos surpreender com estes absurdos, afinal, trata-se de um negócio, e as chinchilas e todos os outros animais usados para vestimenta, não passam de propriedade. Vejamos a declaração de Carlos Luis Perez, presidente da associação de criadores: "Não há mais lugar para criadores que criam animais por criar ... dentro de 3 ou 4 anos vai ser uma fonte de renda." Falando sobre o banho diário de calcário diz que o animal "limpa sua própria pele para dar-nos mais dinheiro.". "Há outros animais que tem o pelo como o de uma ovelha, lanoso, que nunca vão melhorar. Também existem alguns animais com fibras de pelo tipo zig zag que também nunca melhorarão. Ambos tipos de animais devem ser eliminados da criação. ... É injustificável que uma pele esteja suja em uma criação com fins de lucro. Claro que temos exceções como aqueles pouquíssimos animais que dormem acima do lugar em que urinam, que não tomam banho, que estão sempre com diarréia, etc". Este pouquíssimos fica interessante no próximo parágrafo: "Agora, um criador levar 100 peles para vender e 80 delas estarem sujas, cheias de gordura, barrigas sujas pela urina ou pelo amoníaco, acho que essa pessoa deveria parar de criar. Esse criador nunca vai tirar lucro de uma criação de chinchilas." Como pode que 80% dos animais de certos criadores cheguem a condições tão extremas a ponto de deitarem sobre a prórpria urina? Fica evidente aqui o stress que esses animais sofrem durante a criação. Este comportamento anômalo e violento, de animais naturalmente dóceis, pode também ser visto na seção de conselhos deste mesmo site: "Coloque chapas de zinco ou alumínio entre as gaiolas para evitar que os animais selecionados se vejam e briguem, soltem pêlos ou uns urinem nos outros." Veja como são sacrificadas as chinchilas clicando aqui. Mais sobre as chinchilas clicando aqui. Além de chinchilas, outros animais como coelhos, raposas, coiotes, minks, gatos, cães, crocodilos, jacarés, cobras, lagartos, baleias, bois, tigres, leões, lobos, caraculs e até as inofensívas focas do ártico tem suas preciosas - para elas - peles retiradas apenas para satisfazer um interesse consumista e fútil de uma minoria de pessoas ricas, capazes de pagar quantias que chegam a 100 mil dólares. Para a produção de peles, 85% dos animais vivem em fábricas. Os outros 15% são caçados. Na caça, muitos outros animais acabam sendo pegos e mortos sem querer. Por não representarem valor econômico algum estes são chamados pelos caçadores de "animais lixo". Quase um quarto dos animais que são pegos com armadilhas roem os próprios membros para fugir e morrem posteriormente com a perda de sangue. Na China, país onde não há nem ao menos proteções bem-estaristas para os animais, as peles são retiradas muitas vezes com o animal ainda vivo. Os caraculs (ovelha da ásia central) têm sua pele retirada até 15 dias antes do próprio nascimento, morrendo assim mãe e filho para uma única peça. As focas do ártico são mortas covardemente com pancadas na cabeça, sem qualquer possibilidade de reação. Há relatos apavorantes de ex-caçadores de que os agressores chegam ao ponto de jogar hóquei com os restos mortais servindo de goleira e as cabeças decepadas de bola. O rio de sangue rubro sobre sobre o gelo branco é certamente uma das cenas mais chocantes de todo este holocausto. Quanto aos animais presos, como suas peles não podem ser danificadas, morrem de formas alternativas extremamente violentas como a eletrocução anal, cujo objetivo é cozer o animal de dentro para fora por meio de um bastão elétrico que é introduzido no reto do animal. Para que ele morra são necessários vários choques. Obviamente, estes animais nunca se adaptam ao stress de estar preso. Veja o que defendem os criadores do site ivosfur.com: "Como todos os animais criados em cativeiro pelo Homem, estes possuem comportamento particulares e específicos e são completamente adaptados ao ambiente em cativeiro. A seleção das raças depende de uma alimentação extremamente equilibrada, do constante auxílio veterinário, de higiene diária e de espaço ideal (dimensões do box) para que os animais não sofram inutilmente." Couro Grande parte do couro utilizado mundialmente vem do Paquistão, onde estes compram os animais da Índia, prometendo um destino decente ao animal. Na peregrinação, estes animais têm seus rabos quebrados e recebem pimenta nos olhos para que continuem andando. Nas fábricas, diversos produtos químicos são utilizados para tratar a pele, que além de poluir o meio ambiente - vide o vale dos Sinos, pólo do setor coureiro calçadista - provocam sérios problemas de saúde para os funcionários que possuem pouco amparo governamental, configurando assim uma grave violação dos direitos humanos. Lã A maior parte da produção mundial de lã é extraída de ovelhas australianas que possuem o corpo muito rugoso, por isso, ao defecarem, ficam sujas e acabam criando moscas varejeiras em sua lã. Estas moscas, se não removidas podem acabar comendo o animal vivo. Tendo isto em vista, os criadores criaram uma técnica chamada Museling, onde cortam as partes próximas a região pudenda do animal, sem anestesia. Com o clima brusco, os animais sofre de calores no verão e muito frio no inverno e no final da vida ainda são vendidos para rituais religiosos no Oriente Médio. Para ver diversos vídeos sobre a realidade da lã clique aqui. Se você achou difícil ler este texto até aqui, tente imaginar como deve ser difícil estar na pele destes animais. Acreditamos que, independentemente das condições em que os animais são criados e de como são tratados, não temos o direito de usá-los, dispor de suas vidas, decidirmos a hora de sua morte e utilizarmos seus corpos. Mudar esta realidade é muito simples. Basta não consumir, informar os amigos e, se possível, avisar as empresas que utilizam peles, couro ou lã da sua decisão. Tornar-se vegano é a decisão pessoal que pode contribuir de forma decisiva para a abolição da escravidão animal. ]]> Precisamos do teu depoimento sobre coleta seletiva em Porto Alegre Lixo, uma questão e várias pontas Das questões urbanas da contemporaneidade, uma das mais complexas é o lixo. Ele se relaciona com ecologia, com geração de renda e com defesa animal. Uma coleta seletiva forte e adequada poderá garantir vagas de trabalho para carroceiros e a conseqüente libertação dos cavalos. Estamos empenhados em compreender os caminhos do lixo reciclável em Porto Alegre. Uma das questões que vem nos mobilizando é a coleta domiciliar do lixo reciclável e tu podes nos ajudar nessa parte. Precisamos do teu depoimento sobre como está se dando a coleta na tua casa, com a finalidade de mapear a coleta na capital e de entender por que os galpões estão recebendo pouco lixo para triagem e conseqüente renda para os trabalhadores. Para isso pedimos que preenchas a mensagem abaixo narrando as alterações que percebeste ao longo dos tempos na coleta seletiva em tua residência. ]]> Vire vegano já Quantos veganos são necessários para mudar uma lâmpada? Nenhum. Veganos não mudam nada. Como você pode ver, nós veganos também temos senso de humor. Imagino que esta piada foi criada por um vegano cansado de dar explicações. Mas creio que seja apenas uma ironia, pois na verdade não cremos nisso: Um vegano é a mudança em si. E existem duas formas de se criar um vegano: Convencendo um onívoro (ou ovo-lacto-vegetariano) ou fazendo sexo entre vegans. Como a segunda forma é mais divertida, passamos 90% do nosso tempo aprimorando-a, graças a nossa dieta rica em alimentos afrodisíacos. No tempo que sobra, escrevemos estes textos ou panfletamos na rua em pleno verão de Porto Alegre, para convencê-lo. E porque queremos mais veganos? Sem piadas agora: Porque queremos mudar o mundo! Quantos veganos são necessários para mudar o mundo? Um. Um de cada vez. E para ajudar você a tomar essa decisão, escrevemos tudo o que você precisa saber: O que é um vegano? Por que devo ser vegano? Como é a vida de um vegano? Indo ao super com um vegano. Receitas veganas. Por que não apenas vegetariano? E não faltam proteínas? Não vou ficar burro? Crianças também podem??? Existem veganos famosos? ]]> Senado votará lei do atraso para os direitos animais Lei que regulamenta o uso de animais em pesquisa será votado no Senado nesta quarta-feira. Resista!Conheça mais uma campanha em prol dos animais aqui. E participa. Dois cliques e todos os senadores receberão teu posicionamento. ]]> Coelhinhos não participam mais das páscoas Para os judeus, a páscoa marca o êxodo do Egito. O preparo do matzá (pao sem fermento) atualiza aquele momento, quando não havia tempo para fermentar o pão do povo em fuga da prisão imposta pelos faraós. Para os cristãos, a páscoa simboliza o renascimento de Cristo. A idéia do coelho como símbolo tem diferentes interpretações. Em geral, se sobrepõe às demais o fato de o coelho representar fertilidade, sendo que no Egito antigo, representava o nascimento e a renovação das esperanças. Apesar desses significados assumidos no plano simbólico, na prática o coelho é um dos animais que mais sofre na mão humana: é morto para ser comido e para uso de sua pelagem. Como se não bastasse, é um dos animais preferenciais para testes cruéis da indústria de cosméticos e farmacêutica. Entre outras razões, pela sua docilidade. Conhecer estes testes é dever de cidadania. Estamos aproveitando o momento da Páscoa, quando o coelho é lembrado num contexto de consumismo (de ovos de chocolate), para estimular as pessoas a deixarem de consumir produtos testados em animais. Tu podes colaborar com os animais, adotando esta campanha. Para isso, imprime o arquivo em PDF e fixa-o nos lugares a que tens acesso (local de trabalho, escola, bar, etc). ]]> animais em circos A Assembléia Legislativa do Estado, no dia 3 de junho, aprovou por 26 votos a 18 o substitutivo ao projeto de lei (PL) 108/2007, de autoria do deputado Miki Breier (PSB), que proíbe a utilização de qualquer espécie de animal em circos no Estado. E o passo seguinte representou mais uma vitória para os animais: a sanção da governadora Yeda Crusius. Envia o e-mail para agradecermos e mostrarmos que estas ações têm ampla aceitação da comunidade. ]]> Manifesto Porto Alegre Pelos Cavalos MOVIMENTO PORTO ALEGRE PELOS CAVALOS   MANIFESTO     AOS EXMOS. SENHORES VEREADORES CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE     Com relação ao Projeto de Lei nº 43/05, que dispõe sobre o Programa de Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal, de autoria do vereador Sebastião Melo, as entidades que firmam o presente documento expõem e solicitam providências quanto ao que segue:               O problema da circulação de veículos de tração animal há vários anos aguarda equacionamento em Porto Alegre.               A população da capital tem se manifestado invariavelmente contrária à continuidade dessa prática, que representa exploração e maus-tratos aos eqüinos (que invariavelmente culminam com sua inutilização e morte, assistidas com freqüência nas vias públicas), transtornos decorrentes ao trânsito, bem como à constante exploração de menores no trabalho de coleta e seleção de material reciclável.    Os signatários deste documento são entidades ambientalistas e de proteção e defesa animal, que têm como foco principal nesta discussão, a busca de condições dignas de vida aos eqüinos utilizados para tração, mas que não desconsideram os danos ambientais e os problemas sociais envolvidos.             O propósito dos signatários e seus representados é de que os proprietários das carroças, basicamente catadores de material reciclável, tenham condições de prover à própria subsistência e de suas famílias, propugnando por condições de vida mais dignas e por uma solução social e humana para esse conjunto de cidadãos, bem como para os animais que os servem.   Considerando que a continuidade dessa situação, que configura o exercício de crueldade, é uma afronta longamente perpetrada contra a letra e o espírito da legislação, a começar pela própria Constituição Federal e pela Lei dos Crimes Ambientais, além de demonstração de insensibilidade e ausência de humanidade para com os seres vítimas de dor e sofrimento – os eqüinos explorados;   Considerando que soluções éticas e definitivas existem, necessitando apenas que sejam equacionadas para a realidade e a dimensão do desafio que se apresenta;   Considerando que a implementação de uma solução espera apenas pela vontade política e o sentido de humanidade e respeito à lei que deve caracterizar os legisladores e o poder executivo que representam a população desta cidade, a qual já tem se manifestado de sobejo pela extinção das carroças;     Considerando, por outro lado,   a) que o presente projeto carece de um enfoque que preserve e garanta a qualidade de vida dos animais, após a extinção de trânsito de VTAs, e que a solução proposta para seu aproveitamento – a tração de VTAs de passeios turísticos, prevista no parágrafo 1º do art. 4º do PL em questão -   é incoerente com o fim a que se propõe o vereador, autor do projeto, bem como os autores dos substitutivos, assim como para com as expectativas de toda a sociedade;   b) que o simples fato de retirar os animais da coleta de material reciclável para colocá-los a tracionar “carroças de passeio” vai perpetuar a exploração e o sofrimento a que são submetidos, sem falar que serão mantidos circulando pelas ruas da capital;   c) que outras experiências nesse sentido se mostraram tão cruéis e exploratórias, como é o caso dos animais usados para tração em charretes de turismo na Ilha de Paquetá /RJ onde, como em Porto Alegre, os cavalos são explorados, mal alimentados, mal abrigados e morrem sob as carroças, diante da indiferença do Poder Público e de uma fiscalização inexistente (vide doc em anexo);   d) que o pensamento moderno, o novo direito ambiental, o bom senso e a ética não mais admitem soluções simplistas e ineficientes que mantenham os animais sob o jugo e a exploração humana;   O Movimento PORTO ALEGRE PELOS CAVALOS, uma coalizão de entidades da defesa animal e ambientalistas de Porto Alegre e do RGS, apoiadas por entidades da área, do Brasil e do exterior, entende e solicita:     Imprescindível a exclusão do § 1º do Artigo 4º do Projeto de Lei em causa, que excetua da proibição do trânsito de VTAs as utilizadas para passeios turísticos, bem como a mesma alteração nos Substitutivos 55172240-959 e 56209090-6, ambos nos respectivos § 1º do Artigo 3º, por ser proposta que mantém os animais na mesma situação de exploração e sofrimento;   Que sejam mantidos os Incisos IV e V do § 2º do Artigo 4º, que vedam, a partir da data da lei, o registro e a habilitação de novos VTAs, e que não foram alvos de objeção por parte da CCJ da Câmara Municipal, e representam uma medida importante para a viabilização do projeto de retirada dos VTAs das ruas de Porto Alegre;   Respeitadas essas objeções, O Movimento PORTO ALEGRE PELOS CAVALOS apóia e solicita providências imediatas aos legisladores municipais, no sentido de que seja votado e aprovado o Projeto de Lei do Vereador Sebastião Melo, assim como a emenda proposta pelo Vereador Adeli Sell, de retirada dos VTA de circulação no prazo máximo de 4 anos.                                                              Porto Alegre, 20 de maio de 2008     MOVIMENTO PORTO ALEGRE PELOS CAVALOS     GRUPO RAMATIS – Porto Alegre GAE POA– Grupo pela Abolição do Especismo Porto Alegre MGDA – Movimento Gaúcho de Defesa Animal UPV – União Pela Vida – Porto Alegre   APOIADORES   Municipais   SVB POA – Sociedade Vegetariana Brasileira / Porto Alegre JUS BRASIL – Porto Alegre REDIA - Rede de Educação Estadual dos Direitos dos Animais e do Meio Ambiente, Porto Alegre Gatos e Amigos -   Porto Alegre Movimento Higienópolis Vive – Porto Alegre SOS Eqüinos - Porto Alegre  Bichos de Porto - Porto Alegre  Coringas Pro Animais - Porto Alegre  Confraria dos Protetores Solidários - Porto Alegre Batalhão de Choque Animal - Porto Alegre AMA – Associação dos Moradores da Auxiliadora – Porto Alegre Associação Cultural Meio Ambiente e Esportes Radicais – Porto Alegre Moinhos Vive  -  Associação dos Moradores e Amigos do  Bairro Moinhos de Vento – Porto Alegre     Estaduais   ACAPA - Associação Carazinhense de Proteção aos Animais, Carazinho; ALPA - Associação Leopoldense de Proteção aos Animais, São Leopoldo; Amigo Bicho & Companhia – Grupo de Conscientização da Vida Animal - Rio Grande; Amigos, Associação de Proteção e Defesa da Vida Animal – Gravataí; AMOGA - Associação Montenegrina dos Guardiões dos Animais – Montenegro; APATA - Associação Protetora de Animais de Taquara; ASPA - Associação Santanense de Proteção aos Animais – Santana do Livramento ACAPA - Associação Camarense de Proteção aos Animais - General Câmara; AGPA - Associação Gaúcha   de Proteção aos Animais- Charqueadas; AJEPA - Associação Jeronimense de Proteção aos Animais - São Jerônimo; Associação Pelotense de Cidadania – Pelotas ATPA - Associação Torrense de Proteção aos Animais - Torres; Clube Amigo dos Animais, Santa Maria; NBPASFA – Núcleo Bageense de Proteção aos Animais São Francisco de Assis – Bagé ONDA. Organização Nacional de Defesa Animal - Cachoeirinha; SOAMA. Sociedade Amigos dos Animais -   Caxias do Sul; S.O.S ANIMAIS - Viamão União Santa Mariense Protetora dos Animais, Santa Maria; UPAN – União Protetora Do Ambiente Natural – São Leopoldo /RS CAPA - Clube dos Amigos e Protetores dos Animais – Passo Fundo /RS ONDAA - Organização pela Dignidade dos Animais Abandonados – Novo Hamburgo / RS   Nacionais Movimento SOS BICHO de Proteção Animal – Curitiba /PR APASCS - Associação Protetora dos Animais de São Caetano do Sul /SP ANOÉ - Associação Arca de Noé – Matinhos /PR Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba – PR DAAJ – Defesa Ambiental e Animal com Apoio Jurídico /RJ ANIMAVIDA – Petrópolis /RJ Sentiens Defesa Animal / SP VEDDAS - Vegetarianismo Ético,  Defesa dos Animais e Sociedade / SP Instituto É O BICHO - Florianópolis / SC Grupo Fauna - Ponta Grossa /Paraná       ]]> Defender os animais marinhos Podem alguns poucos voluntários derrubar a maior frota baleeira do Mundo? Sim, responde o cap. WatsonNeste texto, os piratas da compaixão, nossos amigos da Sea Shepherd, são o tema do libelo do capitão Watson. É um texto que vale para todos os DDAs. Leia o clicando aqui. Aproveitamos para conclamar a todos a se associarem a Sea Shepherd com a modesta quantidade de 25 reais, que naturalmente pode ser mais. Antes de contribuir, leia o texto. E, para contribuir, entre no site da Sea Shepherd. Em breve, teremos mais notícias sobre as ações da Sea Shepherd do Brasil.   ]]> Operação Musashi - a totalmente possível missão impossível   Podem alguns poucos voluntários derrubar a maior frota baleeira do mundo? A resposta é sim. Nόs temos a poderosa frota de baleeiros japoneses nas cordas do ringue e tudo o que precisamos fazer é nocauteá-los.   Os baleeiros piratas japoneses estão seriamente feridos. Possuem um débito de mais de 50 milhões de dólares e conseguimos evitar que atingissem a cota de matança por três anos seguidos.   Em nossa primeira campanha, em 2005/2006, perseguimos a frota por 3.500 milhas a oeste da costa Antártida.   Embora debilitados pela lentidão do navio, nós os confrontamos três vezes e os mantivemos em fuga. Nós abalroamos o navio de suprimentos forçando-os a retornar ao Japão e, ao final da temporada, voltaram com 83 baleias a menos que a cota. Nós reduzimos o número de baleias mortas em 10%.   Sabíamos que precisaríamos de um navio mais rápido se pretendêssemos retornar em 2006/2007. Também tínhamos problemas, uma vez que o Farley Mowat ficou retido na África do Sul em razão da pressão dos Governos Japoneses e Canadenses.   Começou,  assim,  a impossível missão da Operação Leviathan. Enquanto eu procurava por um navio mais rápido, Capitão Alex Cornelissen definiu uma estratégia para retirar o Farley Mowat do porto de Cape Town, partindo dissimuladamente às 3:00 horas da manhã, seguindo um cargueiro na escuridão, com todas as luzes apagadas. Eles obtiveram sucesso em despistar a marinha sul-africana escapando para o Oceano Índico.   Seguiram-se à desafiadora fuga do Farley Mowat as condições meteorológicas extremamente severas, até alcançarem o amistoso porto de Freemantle, na Austrália, onde o navio e a tripulação foram recebidos como heróis e presenteados pelo Major Peter Tagliaferri com a honra de ter o Freemantle como nosso porto honorário.   Enquanto isso, eu inspecionara um navio em Malta, mas era muito caro para adquiri-lo. Em junho, eu aluguei um segundo navio em Trinidad e depois de passar dois meses trabalhando para comprá-lo, fomos forçados a desistir da aquisição devido a ilegalidades com proprietário do navio.   Com a rápida aproximação da próxima campanha de caça às baleias, nós finalmente encontramos o navio perfeito em Edinburgh, Escócia em outubro. Era o Westra, navio aposentado da patrulha pesqueira. Nós o compramos na primeira semana de novembro, com um empréstimo bancário graças ao apoio leal e generoso de um de nossos apoiadores. Pelo meio de novembro o navio ficou em manutenção e em 5 de dezembro o Westra, agora rebatizado de Robert Hunter, desceu rumo ao sul, por todo o Oceano Atlântico através do estreito de Magalhães, alcançando o Mar Ross em 19 de janeiro de 2007.   Eu tirei o Farley Mowat de Melbourn e encontrei o Robert Hunter no Mar Ross, onde nossa tripulação construiu um heliporto no Robert Hunter em apenas dois dias.   Não foi fácil. O governo japonês tinha pressionado o governo canadense para retirar nossa bandeira. Nós registramos novamente em Belize porém, em 9 dias, a bandeira de Belize foi retirada, mas não antes de estarmos preparados para partir da Tasmânia rumo ao sul, em direção à costa da Antártida. Nós adentramos o Santuário das Baleias como um navio pirata, sem qualquer registro.   Juntos, os dois navios caçaram e alcançaram a frota japonesa duas vezes. Então, um acidente ocorreu no navio-fábrica japonês Nisshin Maru, um incêndio que matou um membro da tripulação e inutilizou o navio. A frota baleeira japonesa foi forçada a retornar ao Japão com menos da metade de sua cota de caça. Mais de 500 baleias foram poupadas. O governo japonês estava furioso e forçou os britânicos a retirarem a Red Duster[1] do Robert Hunter, deixando-nos sem bandeira.   Rapidamente, nós registramos nossos dois navios com a bandeira holandesa, uma nação não vulnerável à ditadura japonesa ou qualquer outra nação baleeira pirata.   Em junho de 2007, encorajei o capitão Cornelissem a levar o Farley Mowat para Galápagos e então para a Islândia, para a Operação Ragnarok, a campanha para intervir nas ações baleeiras ilegais do país.   O Robert Hunter permaneceu em Melbourne preparando-se para o retorno ao Santuário das Baleias em dezembro.   Mais uma vez, iniciamos o trabalho hercúleo para arrecadar fundos para a próxima campanha.   Ao mesmo tempo que o Farley Mowat alcançou Galápagos, a Islândia decidiu cancelar suas ações de caça às baleias e o Farley Mowat voltou sua atenção à confiscar linhas de pesca ilegais, intervindo contra caçadores ilegais de tubarões e cessando os planos de uma companhia chamada Planktos em despejar limalha de ferro no oceano fora de Galápagos.   Naquele verão, nós investigamos e apreendemos 45 mil barbatanas de tubarão e mais de 100 mil pepinos do mar dos caçadores ilegais e contrabandistas no Equador. Eu fui recompensado pelo presidente do Equador com o Prêmio Amazon Peace e um contrato pela minha morte e a do diretor da Sea Shepherd Galápagos, Sean O’Hearn, foi oferecido pela máfia das barbatanas de tubarão de Manta, Equador. Sean viu-se forçado a demitir-se, com apoio de sua esposa e um agente da polícia que nos apóia enviou-me um colete à prova de balas.   No final do ano, a Planktos cessou suas atividades. O capitão Alex Cornelissem aceitou a posição de diretor da Sea Shepherd Galápagos e eu finalmente estava pronto para assumir o leme do Robert Hunter e retomar a viagem para a Antártida, na campanha que batizamos de Operação Migaloo.   Em um movimento que o saudoso Robert Hunter aprovaria, rebatizei o navio de Steve Irwin, que reflete a paixão dos australianos na oposição à caça ilegal de baleias e para focar como símbolo as baleias da Austrália – Migaloo, a amada baleia jubarte branca, que os japoneses avisaram que arpoariam se tivessem uma chance.   Seguimos ao sul em 5 de dezembro, depois que Teri Irwin lançou o navio sob o nome de Steve. A bordo, estava uma equipe de filmagem do Animal Planet para começar a trabalhar uma série chamada Guerra das Baleias.   Foi uma perseguição longa, perigosa e de sucesso com o Steve Irwin percorrendo mais de 22.000 milhas em três etapas atrás da frota japonesa, através da imensidão do remoto e imprevisível Oceano Antártico. Nós abordamos um navio arpoador criando um incidente internacional que foi manchete no mundo todo. E o mais importante: nós impedimos as operações baleeiras ao ponto de, mais uma vez, os caçadores de baleia falharem, sem atingir sua cota de matança.   Da cota de 50 baleias jubarte, eles não pegaram nenhuma. Eles não caçaram uma única baleia fin de sua cota. Eles caçaram 583 baleias minke. Nós salvamos a vida de 522 baleias minke e um total de 622 baleias das três espécies.   Foi um desastre econômico e de relações públicas para a frota baleeira japonesa e sua frustração restou demonstrada quando eles jogaram bombas de efeito moral e deram tiros em nossa tripulação, com uma bala atingindo meu peito e uma bomba de efeito moral arremessando o cameraman Ashley Dunn ao convés, ferindo sua coxa. Por sorte, meu colete à prova de balas parou o projétil e não houve nenhuma lesão séria do confronto.   Nós descobrimos que poderíamos encontrá-los e cessar suas operações. Nossa única limitação era a necessidade de reabastecer. Isso levou cerca de 10 dias para retornar ao porto, alguns dias para reabastecer de combustível e provisões e outros 10 dias para retornar para a frota. Foi aí que 583 baleias morreram. Se pudéssemos contar com um segundo navio, conseguiríamos pará-los 100%.   E essa é nossa atual missão impossível. Nós podemos e vamos retornar ao Santuário de Baleias do Oceano Antártico em dezembro, com o Steve Irwin. A questão agora é encontrar e garantir um segundo rápido navio, para cobrir o Steve Irwin quando for forçado a retornar ao porto para reabastecer.   Finalmente, nós estamos trabalhando para levantar mais fundos para comprar um segundo navio. Nós também precisamos levantar fundos para combustível, reparos e provisões aos dois navios.   Nós não temos nenhum problema em tripular os navios. Estamos lotados de inscrições. Isso é um alívio, pois agora estamos aptos a tripular o navio com uma diversidade de indivíduos capazes e habilitados. Nossa última campanha foi limitada por alguns desistentes e alguns corações fracos, que não entenderam que ser um membro da tripulação da Sea Shepherd requer um tipo raro de paixão e coragem. Se alguém não está disposto a arriscar sua vida para defender uma baleia, então, esta pessoa não pertence a nossa tripulação. E se não entendem porquê nós perguntamos essa questão, eles não pertencem à nossa tripulação.   Pessoalmente acredito que correr riscos para proteger espécies ameaçadas é, de longe, mais nobre e valioso que arriscar uma vida para proteger o Estado, dinheiro e poços de petróleo e eles dão medalhas às pessoas que fazem isso.   Nós lutamos pela vida, pela diversidade e pelo futuro da humanidade e de todas as coisas vivas e, na minha opinião, essa é a melhor justificativa para navegar em direção ao perigo. O que nos leva à Operação Musashi.   Miyamoto Musashi é uma lenda no Japão e eu escolhi o nome porque Musashi escreveu sobre estratégia de duas formas, usando a caneta e a espada. Em outras palavras, Musashi sabia que além da intervenção agressiva, seria necessário informar e educar.   Ano passo, pela primeira vez no Japão, a questão da caça ilegal de baleias pelo Japão atingiu as manchetes. Porque nossas estratégias, dramáticas e agressivas, eram novas e nos permitiu enviar aos jornais notícias sobre o abate das baleias.   Isso nos trouxe apoio dos japoneses que eram contra à política de matança das baleias de seu governo.   Nossas intervenções são a espada, por uma ação direta e a mídia é a caneta, portanto, nossa abordagem é exatamente o que Musashi tinha em mente.   Alguns anos atrás, todos nos diziam que lutar contra a frota baleeira japonesa era uma causa perdida –os crimes sem punição no oceano Antártico eram cometidos por uma grande equipe de máquinas assassinas, unidas e controladas, como a Yakusa. O Nisshin Maru era a formidável Estrela da Morte de Cetáceos. Os assassinatos das baleias pelos criminosos ocorriam em vastas extensões de iceberds, gélidas, atingidas por tempestades nos mares hostis. Nós não tínhamos dinheiro. Nós não tínhamos navios. Em outras palavras, somente um tolo pensaria em se aventurar nessas águas hostis sem os recursos adequados, em um exercício de Quixotismo fútil.   Mas eu recordo o que meu amigo Martin Sheen me disse uma vez: “Causas perdidas são as únicas causas que pelas quais vela a pena lutar”.   E gente o bastante me chamou de tolo, ao ponto de que não tive problema em acreditar e, deste modo, surpreendê-los trilhando o caminho de um tolo como Dom Quixote, em uma missão desesperada para proteger a inocência e a vida que, para ser franco, foi um tanto quanto atraente.   Nossa impossível e desesperada missão causou tanto impacto que agora eu acredito que podemos vencer e expulsar os baleeiros criminosos do Santuário de Baleias do Oceano Antártico.   Não há dúvidas de nossa superioridade moral. Os baleeiros japoneses estão alvejando baleias ameaçadas e indefesas em um Santuário de Baleias, em violação às leis internacionas e a moratória comercial da caça à baleia. São assassinos sádicos envolvidos com a máfia japonesa Yakusa em uma indústria que não tem honra e não oferece nenhum benefício ao povo japonês.   Nós vamos adiante na proteção e defesa da vida. Nós nunca lesionamos ninguém. Nós somos tão a favor da não-violência que a alimentação em nosso navio é vegana. Nós nunca fomos condenados por um crime hediondo em qualquer lugar do mundo. Nós somos voluntários arriscando nossas próprias vidas para proteger a vida.   O governo japonês pode nos chamar de eco-terroristas e piratas até o Monte Fuji derreter, mas o fato que permanece é que nós lutamos pela vida e eles matam por lucro.   Nesse caso, os piratas do bem vestem preto e a nossa bandeira pirata é um símbolo de esperança para as baleias e para a proteção de nossos oceanos. Nós somos piratas da compaixão e vida em uma batalha para subjugar e derrotar os piratas da ganância e da morte.   Woody Allen disse uma vez que 90% do sucesso era apenas aparecer. Nesse caso, ele está absolutamente certo. Nós só precisamos continuar aparecendo no encalço da frota japonesa, perturbando e intervindo contra a matança. Nós precisamos puxá-los para baixo, forçando-os a encarar perdas financeiras a cada ano, até que eles tenham tantos débitos que irão sucumbir.   Nós podemos e vamos destruir a Estrela da Morte de Cetáceos. Nós pretendemos afundar    a frota baleeira japonesa – economicamente. Sem machucar uma única pessoa nós vamos levar suas operações à bancarrota e assim podemos encerrar a matança.   Seu investimento em nossas operações tem e continuarão tendo resultados.   Quanto vale a vida de uma baleia para você?   Seu apoio e credibilidade em mim e em minha tripulação retornarão com a dádiva das baleias vivas e a promessa  de sobrevivência dos nossos oceanos.       [1] . Red Duster é uma bandeira cortesia do Reino Unido, içada nas embarcações civis.   ]]> “A ciência pode abrir mão da experimentação com animais?” (Sim) [Enviado à Folha de S. Paulo em 07/11/07] As investigações científicas mais relevantes para a preservação da saúde e da vida humanas resultaram de estudos feitos com base na clínica, na observação e no mapeamento das doenças que mais incidem sobre a população humana, ou de estudos voltados para a prevenção das doenças, não exclusivamente para o combate de seus sintomas. As descobertas científicas que mais contribuíram para prolongar a vida humana resultaram basicamente de estudos e observações clínicos, não de testes feitos em animais vivos de outras espécies. Via de regra, estudos baseados no modelo animal vivo (vivissecção) servem apenas para desenvolver a habilidade dos cientistas na construção de modelos que terão de ser, mais tarde, redesenhados para aplicação em estudos destinados à investigação de possíveis terapêuticas para doenças humanas. Após todo esse esforço, as drogas não funcionam como prometido. Muitas delas são retiradas do mercado, após constatada sua letalidade para humanos. A ciência usa o dinheiro e investe o tempo de seus operadores perdendo-se nos labirintos da vivissecção. Seu investimento neste único método de pesquisa é diretamente proporcional ao seu fracasso em responder satisfatoriamente às questões às quais se propõe responder com sua investigação. Enquanto gerações e gerações de jovens cientistas são transformados em vivisseccionistas, sob a imposição hegemônica de uma ideologia claramente fracassada, outras tantas gerações de jovens, bebês e adultos, morrem a cada ano, daquelas mesmas doenças que o cientista há mais de cinco ou seis décadas promete curá-los, ao buscar em organismos de ratos e camundongos a resposta para males que afetam cada vez mais devastadoramente organismos de indivíduos humanos. A ciência vivisseccionista não têm feito progresso algum na busca da cura dos grandes males que produzem as doenças crônicas, dolorosas e letais mais comuns em organismos humanos: câncer, acidentes vasculares, diabetes, hipertensão, Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson. Além do fracasso evidente de todas as drogas até hoje empregues para a “cura” dessas doenças, é preciso contabilizar o fracasso de outras, inventadas a partir do modelo vivisseccionista para o tratamento das demais doenças que afligem os seres humanos, a exemplo da depressão e de outras formas de sofrimento psíquico.   Ao adotar o organismo de camundongos, ratos, cães, gatos, porcos, cavalos, aves e primatas não-humanos, como referência para a investigação, a ciência deixa de estudar e conhecer o organismo e o psiquismo dos seres da espécie humana, a destinatária de seus resultados. O que o cientista vivisseccionista faz é estudar a fisiologia dessas doenças em organismos que, via de regra, sequer as produzem naturalmente. É preciso “fabricar” um camundongo com câncer, para testar nele as drogas prometidas, para curar o câncer em organismos que não foram “fabricados” com câncer, mas que o desenvolvem. A morte por câncer continua a ser praticamente previsível, apesar das drogas às quais o paciente humano é submetido na “luta contra” ele. Adiar a morte não cura. Esta ciência pode abrir mão do uso de animais vivos, pois embora ela tenha produzido uma quantidade incalculável de drogas para combater os sintomas de tais males, ao sustentar sua investigação no vivisseccionismo, não produz resultados que garantem a “cura” de quaisquer daqueles males mais freqüentes que afetam crônica ou agudamente a saúde e destruem a vida humana.  Sônia T. Felipe, 53 anos, Doutora em Filosofia Moral e Teoria Política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, professora da graduação e pós-graduação em Filosofia, e do Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, orienta dissertações e teses nas áreas de teorias da justiça, ética animal e ética ambiental. Pesquisadora permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, autora de, Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas, Edufsc, 2007, e, Por uma questão de princípios, Boiteux, 2003. ]]> O Modelo Animal Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia. Isso porque assume-se que moças não sejam modelos representativos da população de idosos e que rapazes não sejam o melhor modelo para o estudo de problemas pertinentes às mulheres. Se isso é lógico, e estamos tratando de uma mesma espécie, por que motivo aceitamos como científico que se testem drogas para idosos ou para mulheres em animais que sequer pertencem à mesma espécie? Por que aceitar que a cura para a Aids esteja no teste de medicamentos em animais que sequer desenvolvem essa doença? E mesmo que o fizessem, como dizer que a doença se comporta nesses animais da mesma forma que em humanos? Mesmo livros de bioterismo reconhecem que o modelo animal não é adequado. Dados experimentais obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras espécies. Se queremos saber de que forma determinada espécie reage a determinado estímulo, a única forma de fazê-lo é observando populações dessa espécie naturalmente recebendo esse estímulo ou induzi-lo em certa população. Induzir o estímulo esbarra no problema da ética e da cientificidade. Primeira pergunta: será que é certo, será que é meu direito pegar indivíduos e induzir neles estímulos que naturalmente não estavam incidindo sobre eles? Segunda pergunta: será que é científico, se o organismo receber um estímulo induzido, de maneira diferente à forma como ele naturalmente se daria... será ele modelo representativo da condição real? Ratos não são seres humanos em miniatura. Drogas aplicadas em ratos não nos dão indícios do que acontecerá quando seres humanos consumirem essas mesmas drogas. Há algumas semelhanças no funcionamento dos sistemas de ratos e homens, é claro, somos todos mamíferos, mas essas semelhanças são paralelos. Não se podem ignorar as diferenças, as muitas variáveis que tornam cada espécie única. Essas diferenças, por menores que pareçam, são tão significativas que por vezes produzem resultados antagônicos. Testes realizados em ratos não servem tampouco para avaliar os efeitos de drogas em camundongos. Isso porque apesar de aparente semelhança, ambas as espécies possuem vias metabólicas bastante diferentes. Diferenças metabólicas não são difíceis de encontrar nem mesmo dentro de uma mesma espécie, admite-se que as drogas presentes no mercado são efetivas apenas para 30-50% da população humana. Na prática o que acontece é que um rato pode receber uma dose de determinada substância e metabolizá-la de maneira que ela se biotransforme em um composto tóxico. A toxicidade mata o rato, mas no ser humano essa droga poderia ser inócua, quem sabe a resposta para uma doença severa. Por outro lado, o teste em ratos pode demonstrar a segurança de uma droga que no ser humano se demonstre tóxica. Centenas de drogas testadas e aprovadas em animais foram colocadas no mercado para uso por seres humanos e precisaram ser recolhidas poucos meses após, por haverem sido identificados efeitos adversos à população. Se as pesquisas com animais realmente pudessem prever os efeitos de drogas a seres humanos, esses eventos não teriam ocorrido. Dessa forma, pode-se inferir que a pesquisa que utiliza animais como modelo não só não beneficia seres humanos, como também potencialmente os prejudica. O modelo de saúde que defendemos é aquele que valoriza a vida humana e animal. Os interesses da indústria farmacêutica e das instituições de pesquisa que lucram com a experimentação animal não nos dizem respeito. Buscamos por soluções reais para problemas reais. Os maiores progressos em saúde coletiva se deram através de sucessivas mudanças no estilo de vida das populações. Há uma forte co-relação entre nossa saúde e o estilo de vida que levamos. Se nosso estilo de vida é dessa ou daquela forma, isso reflete em nossa saúde. Está claro que as doenças sejam reflexo, em grande parte, de nosso estilo de vida e que a cura deva estar em correções nesses hábitos. Sérgio Greif é biólogo em São Paulo/SP, mestre em Alimentos e Nutrição, autor dos livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável". ]]> Sobre a polêmica do Holocausto Animal É, no mínimo, emblemático o caso da representação impetrada recentemente pela ONG ABC sem Racismo, baseada em denúncia da Afropress, sobre imagens veiculadas pelo site Holocausto Animal, imagens em que escravos africanos amordaçados aparecem justapostos a cães com focinheira e nas quais, também, judeus aprisionados em campos de concentração aparecem lado a lado com diferentes animais em cenas de confinamento e abate. É emblemático, pois ilustra muito bem dois fatos bastante comuns: o analfabetismo funcional e o egoísmo da dor. Comecemos pelo segundo. Há uma lei natural do ser humano: a minha dor é sempre a maior dor do mundo. E isso vale tanto individualmente (a minha dor de dente com certeza é mais forte do que a do vizinho) quanto coletivamente. Sendo judeu, cresci acostumado ao eterno sentimento de pesar e dor da comunidade com relação aos antepassados exterminados pelos nazistas no Holocausto. Todos os anos, lembramos e lamentamos o fato, oramos, acendemos velas. A dor de nosso povo é incomensurável. Calculo que, na comunidade negra, o sentimento relativo ao período da escravidão seja análogo. Dessa forma, qualquer um que venha tentar equiparar sua dor à nossa já, de antemão, não costuma ser visto com muita simpatia. Ora, que petulância: imaginar que sofre tanto quanto eu! Pior ainda se esse outro for o que milhares de anos de cultura antropocêntrica vieram a estigmatizar como seres "irracionais" e, portanto, inferiores. Comparar a dor humana com a de animais não-humanos, que petulância! Convém lembrar que tanto o massacre dos judeus quanto a escravidão dos africanos tiveram por base a aceitação desse estigma de inferioridade. Não admitir a existência dessa dimensão que se pode denominar "racionalidade", "alma" ou "psiquismo" nos judeus, nos negros ou nos animais é uma forma de exercício de poder. Se é assim, posso usá-los como bem entender, sem enfrentar dilemas morais. É dessa forma, admitindo a inferioridade, que, por exemplo, instituições como o clero (até suas mais altas esferas, no Vaticano) conviveram tranqüilamente com a opressão dos negros e dos judeus. Por esse mesmo mecanismo, agora, todos nós, indivíduos da espécie humana, convivemos com o uso dos animais para satisfação de nossos interesses (não só convivemos com o uso como o temos como perfeitamente natural, sendo quase impensável um mundo sem isso). A postura humana de colocar suas mais desimportantes preferências (satisfação do paladar, busca por testar um cosmético, vestir uma certa roupa) à frente dos interesses mais fundamentais dos outros animais (não sentir dor, crescer em seu ambiente natural, não ser morto) é o que se convencionou chamar, na filosofia dos direitos animais, de especismo, em analogia com palavras tais como racismo ou sexismo. As imagens veiculadas pelo site Holocausto Animal não são nada mais do que uma ilustração desse conceito: dor é dor, exploração é exploração, humilhação é humilhação, não importando a cor da pele, a etnia, o tamanho do nariz e, por incrível que pareça, nem mesmo a espécie. Chegamos aí na questão do analfabetismo funcional. Certamente, um desavisado que vá olhar as imagens terá, como primeira reação, o ato reflexo de se sentir ofendido, isso devido ao egoísmo da própria dor e ao desconhecimento do conceito de especismo, temperados pela mentalidade antropocêntrica atávica. É aquilo: o sujeito lê (aqui tem um porco, ali tem um judeu; aqui tem um escravo negro, ali tem um cachorro), mas, por falta de informação, não entende o sentido da mensagem, que é bem mais sutil, avesso a interpretações reducionistas do tipo "estão fazendo pouco da minha dor" ou "estão me chamando de porco". Aliás, as polêmicas imagens, que, como disse, tentam apenas explicitar o conceito de especismo, estão baseadas em trabalhos de diversos filósofos que se debruçam sobre a questão dos direitos animais. Um dos mais eminentes é o australiano Peter Singer, autor do clássico Libertação Animal, de 1975. Na obra, em diversos trechos, Singer invoca barbáries praticadas por humanos sobre outros grupos de humanos (judeus e africanos, inclusive), estabelecendo um paralelo ilustrativo com o tipo de barbárie que todos nós cometemos contra tantos animais sensíveis e conscientes. Singer, por acaso, é judeu, e seus avós pereceram em campos de concentração. Mas a polêmica comparação não é monopólio de Peter Singer ou do site Holocausto Animal. Se o sujeito abrir uma novela muito interessante chamada O Penitente, de autoria de Isaac Bashevis Singer, judeu e Prêmio Nobel de Literatura, vai se deparar com o seguinte trecho, em que o narrador, um judeu relapso que decide se voltar à espiritualidade e abandonar as coisas mundanas, tornado-se justo e virtuoso, se questiona sobre a exploração dos animais: "Há muito eu chegara à conclusão que o tratamento do homem para as criaturas de Deus torna ridículos todos os seus ideais e todo o pretenso humanismo. Para que este estufado indivíduo degustasse seu presunto, uma criatura viva teve de ser criada, arrastada para sua morte, esfaqueada, torturada e escaldada em água quente. O homem não dava um segundo de pensamento ao fato de que o porco era feito do mesmo material e que este tinha de pagar com sofrimento e morte para que ele pudesse saborear sua carne. Pensei mais de uma vez que, quando se trata de animais, todo homem é um nazista." Mais ainda, se alguém resolver ler mais um pouco de boa literatura, pode esbarrar com o livro A Vida dos Animais, do Prêmio Nobel, J.M. Coetzee, no qual se lê o seguinte trecho: "Aparentemente, eu me movimento perfeitamente bem no meio das pessoas, tenho relações perfeitamente normais com elas. É possível, me pergunto, que todas estejam participando de um crime de proporções inimagináveis? Estou fantasiando isso tudo? Devo estar louca! No entanto, todo dia vejo provas disso. As próprias pessoas de quem desconfio produzem provas, exibem as provas para mim, me oferecem. Cadáveres. Fragmentos de corpos que compraram com dinheiro. É como se eu fosse visitar amigos, fizesse algum comentário gentil sobre um abajur da sala, e eles respondessem: \\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\'Bonito, não é? Feito de pele judaico-polonesa, é o que há de melhor, pele de jovens virgens judaico-polonesas.\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\' E aí eu vou ao banheiro, e a embalagem do sabonete diz assim: \\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\'Treblinka – 100% estearato humano\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\'. Será que estou sonhando, pergunto a mim mesma? Que casa é esta? E não estou sonhando, não. (...) Calma, digo para mim mesma, você está fazendo tempestade em um copo d´água. Assim é a vida. Todo mundo se acostuma com isso, por que você não? Por que você não?" Posso ainda dar um exemplo pessoal. Sou escritor e, recentemente, participei de uma coletânea de contos chamada Ficção de Polpa (Editora Fósforo, 2007), e meu conto, de ficção cinentífica, tem por título "Quando eles chegaram". A história é uma tentativa de resposta a uma velha questão da retórica vegetariana: o que nós humanos pensaríamos e sentiríamos se uma espécie alienígena que se julgue superior invadisse nosso planeta e fizesse conosco tudo o que hoje fazemos com os animais? Qual não foi minha surpresa ao perceber que 80% dos leitores haviam enxergado, no meu trabalho, uma metáfora do holocausto judaico, embora eu não tivesse pensado nisso um segundo sequer ao escrever o texto. Ou seja: o paralelo entre a escravidão, a exploração e a matança de judeus e negros com a escravidão, a exploração e a matança de animais existe, queira eu, Rafael Bán Jacobsen, ou não, queira a ONG ABC ou não, queira a Afropress ou não, queira o Papa ou não. E ela está por aí, é de domínio público: não pertence ao Holocausto Animal, nem a Peter Singer, nem a Coetzee, nem a Bashevis Singer, nem a mim (a rigor, a polêmica campanha do Holocausto Animal nada mais é do que uma simples tradução de uma conhecidíssima campanha do Peta – People for Ethical Treatment of Animals). Na dúvida, pelo bem da justiça, todos devem ser processados, não apenas um certo site tupiniquim, fazendo as vezes de bode expiatório. Sejamos coerentes. Processemos o Peta. Processemos Peter Singer. Processemos Coetzee. Processemos Bashevis Singer. Não, esse não, esse já morreu. Processemos então a Academia Sueca, por ter prestigiado esses dois últimos pusilânimes preconceituosos com o Prêmio Nobel. Processemos Rafael Bán Jacobsen, por acreditar que o paralelo existe e por, apesar de ser judeu, não se sentir violentado pela comparação (sente-se violentado, sim, por um grupo de pessoas de quem nunca ouviu falar se dar o direito de se posicionar por ele e dizer "nós judeus estamos ofendidos"). Processemos o inconsciente coletivo. Antes disso, porém, recomendo que todos leiam Peter Singer, leiam Coetzee, leiam Bashevis Singer. A leitura é redentora. A leitura engrandece e diminui a ocorrência de interpretações errôneas e sem sentido maior do que aquele ditado pelo nosso egoísmo, nossa ignorância e nossa prepotência. É a esse ponto que nossa racionalidade nos conduziu: duas guerras mundiais, devastação ambiental, crescimento populacional desenfreado, aquecimento global e até mesmo peleja de ONGs que, no fundo, lutam pelos mesmos ideais – justiça, igualdade e não-violência. Pobres animais, que não podem reclamar de serem comparados conosco. Pobres de todos nós, que festejamos nossa racionalidade enquanto o mundo desaba sobre nossas cabeças. Que a paz esteja conosco – se ainda houver lugar para ela! Shalom aleichem, Rafael Bán Jacobsen, coordenador da Sociedade Vegetariana Brasileira - Porto Alegre, é escritor, físico nuclear, professor, pianista, judeu e, por acaso, vegano) ]]> Pequenas Vitórias Pela segunda vez, Porto Alegre integra o calendário da causa animal, promovendo atos para marcar o dia de dez de dezembro, DIDA, Dia Internacional dos Direitos Animais, instituído pela organização londrina Uncaged. Desde o ano passado, quando a primeira edição de eventos relacionados à data se disseminou pelo Brasil, muitos foram os fatos que incluíram as preocupações com os animais nas questões relativas à natureza. Trata-se, porém, de abordagem nem sempre vinculada à ecologia, dado que os direitos animais são direitos dos indivíduos e não das espécies. Por este caminho, assume-se o valor intrínseco dos animais, indivíduo a indivíduo. Preocupar-se com os animais na sua individualidade faz com que número cada vez maior de pessoas se tornem veganas, isto é, deixem de utilizar na sua vida cotidiana qualquer produto de origem animal. Isso tem implicações em várias esferas da vida e, por sua vez, se reflete no mercado de produtos que precisa se adequar à nova demanda de consumo ético. A abordagem abolicionista no que diz respeito a como devemos encarar os animais se distingue radicalmente da abordagem bem-estarista. Nesta última, os animais são vistos como pertencentes aos humanos, devendo apenas ser poupados de “sofrimento desnecessário”, defendendo-se o seu “bem estar”. Já os abolicionistas tomam o conceito de direitos animais e entendem que é preciso avançar em relação à noção de bem-estar, preconizando a libertação animal, o direito de não serem propriedade humana. E mais ainda: vêem no bem-estarismo um empecilho e um retrocesso na defesa dos direitos animais, pois, ao teoricamente melhorarem as condições de clausura dos animais, aumentam a sua escravidão e o número de escravos e usos para eles. Como disse Tom Regan, não se trata de aumentar as jaulas, mas de lutar por jaulas vazias, título de seu livro publicado pela Ed. Lugano. O DIDA marca essa luta. Defender os animais é mais simples do que parece, bastando a opção pelo veganismo, a única postura coerente de quem diz se importar com animais. Dito de outro modo: se amo uns, por que como outros? Por que me choca um país longínquo onde encontro um balcão com carcaças de cães, prontos para irem ao forno, se planejo meu porco para o revellion, meu chester para o Natal? Por que choraria ao saber que gatinhos vivos são jogados em uma panela fervente, se acho muito apetitoso um patê de fígado de ganso ou uma ovelha assada no espeto? Há pessoas que dizem não ligar para animais, não se importam com seu abandono, ou “compram” um animal de raça como símbolo de status. Mas há pessoas que dizem se importar com eles, adotam animais de rua, comovem-se com o cavalo que puxa carroças carregadas. O que falta para fazerem a necessária conexão? Num plano mais geral, nunca se viram tantas denúncias de maus tratos: animais silvestres e domésticos, vítimas de intensas crueldades em transportes, comércio, rinhas, agressões. A denúncia pública daquilo que sempre existiu implica reconhecimento de um sujeito que não deveria estar sofrendo. A ampliação, porém, do comércio legal ou ilegal de animais é assustadora. De outra parte, houve, do primeiro DIDA para esse, vitórias no lado dos animais. Uma delas resulta da crescente consciência anti-vivisseccionista. A reação da sociedade contra a experimentação com animais vivos sustentou posições no Judiciário em favor do estudante de Biologia que se recusa a matar em aulas práticas. Há alguns cientistas que construíram sua carreira sobre a testagem com animais e que reagem à disseminação da idéia de que grande parte dos testes se erige sobre falsos pressupostos, sendo um deles a equivalência estrutural entre diferentes espécies, como ratos e homens. Muitas drogas testadas e aprovadas em animais acabam recolhidas das prateleiras ao se mostrarem inadequadas a humanos. (Ver mais em Felipe) Estes cientistas reagem à possibilidade do fim da experimentação animal assim como carroceiros reagem à possibilidade de fim das carroças. Tais categorias, porém, precisam compreender que a evolução tecnológica e a evolução ética forçam tanto o desaparecimento quanto a renovação de formas de trabalho. Hoje é possível e é preciso buscar alternativas de alimentação, vestuário, entretenimento, transporte e ciência que não se baseiem no sofrimento dos animais. Certo é que, até o próximo DIDA, as vitórias éticas pelos animais trarão uma contabilidade ainda mais positiva. ]]> Aquecimento global: o fim do conforto garantido De todas as mudanças que a espécie humana realizou na Terra, talvez a climática seja a mais marcante, e também a mais negada de todos os tempos. No texto escrito em 2001 por George Marshall chamado "A psicologia da negação", na revista The Ecologist sobre mudanças climáticas, o autor mostra o quanto a humanidade nega e disfarça o envolvimento com as mudanças ambientais mais drásticas que estamos acompanhando, como a destruição da camada de ozônio, primeiro estágio para um planeta mais quente. Entre as diversas formas de contribuição humana para o aquecimento global está uma das indústrias mais rentáveis do mundo: a pecuária. Em relatórios da ONU e em pesquisas divulgadas em todo o mundo, podemos saber de algo escondido. A indústria da carne é responsável por significativos índices de desmatamento, para a criação de gado e para a plantação de soja, que é destinada em sua quase total maioria ao gado. Na Costa Rica, na Colômbia, no Brasil, na Malásia, na Tailândia e na Indonésia, as florestas tropicais são destruídas para se conseguir terra para pastagens, explica Peter Singer. Sabe-se que 70% da soja brasileira é destinada apenas a animais, e qualquer estudante de Ecologia é capaz de constatar que a energia vem diretamente dos vegetais e dos organismos fotossintetizantes. Desperdiçar alimentos - solo, água - através do consumo de animais gera uma perda energética bem maior que se os mesmos fossem consumidos por humanos. Entre outros alimentos que são plantados exclusivamente para animais está a aveia, o milho, o linho e o sorgo. A população de bovinos no Brasil já ultrapassou a humana, com mais de 190 milhões de cabeças de gado; no mundo o número chega a 50 bilhões. A criação de animais gera a poluição e o uso sistemático de muitos litros de água. A suinocultura, só em Santa Catarina, já rende por dia 37.835.803,2 litros de dejetos. Os ruminantes em geral, no caso, os bovinos, emitem grandes quantidades de gás metano, que é 23 vezes mais poderoso que o CO2 para o efeito estufa. Ruminantes também produzem o óxido nitroso, 296 vezes mais potente que o CO2. A pecuária ainda emite amônia, causadora da chuva ácida. Sem falar no transporte de animais vivos ou mortos, que gera consumo de combustíveis fósseis, já que em muitos países do primeiro mundo não se trabalha mais com pecuária - preferem deixar esse trabalho dispendioso e anti-ecológico para os países do Terceiro Mundo que não contabilizam gastos ecológicos ao exportar carne. A FAO, órgão da ONU onde se pode obter essas e outras informações, concluiu que a pecuária contribui mais que os automóveis para o aquecimento global. Mas por que estas informações não são populares? Desde a década de 30 sabe-se por diversas pesquisas que há diversas fontes de aminoácidos e nutrientes diversos em todos os vegetais, e que a carne não é necessária para a alimentação humana. Por que essas informações não são tão divulgadas e os mitos continuam sendo transmitidos como verdade, até por alguns médicos? Hoje existem alimentos saborosos, infinitamente superiores em qualidade nutricional e sabor, e ainda baratos, mas poucos sabem disso. Além do prejuízo ambiental, há um outro prejuízo que talvez seja irreparável: o ético. Ao consumir-se alimentos de origem animal, não somente o ambiente físico está em risco, mas o sofrimento e exploração de milhões de animais que simplesmente são ignorados pela maioria das pessoas. Alguns procedimentos realizados nos animais de consumo seriam crimes, se fossem realizados em cães e gatos. O fato é que não é crime mutilar um animal vivo, nem privá-lo dos movimentos básicos, não é crime utilizar-se de procedimentos sem anestesia e tudo isso por que esses animais são considerados como "coisas", e não como seres em si mesmos. São destinados ao mercado de consumo e serão mortos de forma cruel, avidamente consumidos por milhões de pessoas em todo o mundo, as mesmas pessoas que dizem preocupar-se "com os animais e com o aquecimento global". As pessoas estão preocupadas com o aquecimento global, mas não querem mudar seus hábitos nem mesmo questionar a vida massificada em que estão imersas, sem perceber. Um olhar mais atento, uma conversa mais aprofundada, revela as defesas e justificativas sempre infundadas de quem se diz interessado pelas questões do mundo, mas não muda nada em seu próprio mundo e, ao contrário, viabiliza a forma de manter tudo como está. Basicamente é possível fazer algo, como apagar as luzes da casa, fechar a torneira enquanto se escova os dentes, reciclar o papel e o óleo de cozinha. Todos esses procedimentos são essenciais até mesmo para nossa economia pessoal, mas o que é isto em larga escala, se em outras questões estamos pagando, e bem caro, para que a poluição continue? Deveríamos pensar em outros hábitos menos questionados, onde estão a maior parte do mal que causamos ao ambiente, e não queremos admitir sob pena de ter que mudar as coisas. Todos se interessam pelos animais, dizem aos quatro ventos que amam os animais, mas não vemos os números da exploração animal diminuir. Ao contrário, da mesma forma que ocorre com as crianças, seres indefesos, os animais vêm sofrendo as mais terríveis formas de traição e escravidão. Embora estejamos em um século de tecnologia avançada, ainda estamos no tempo das cavernas no que se refere ao respeito pelos semelhantes e pelas diferenças, especialmente os mais indefesos. Ao mesmo tempo em que se jogam crianças pela janela, da mesma forma animais perecem na escuridão de uma cultura que os ignora. E as elucidações, os congressos, as análises, os livros sobre o assunto não páram de crescer, embora pareçam não contribuir em nada para mudar as coisas - isto porque a mudança é algo mais profundo que uma simples leitura da realidade, sem ações efetivas. Os animais são ainda a última instância, em se tratando de ética e respeito aos seres vivos. Agora que já não é mais aceitável escravizar índios, negros, pobres ou oprimir - pelo menos abertamente - as mulheres, ainda é possível que o mesmo seja feito aos animais. Ainda é aceitável que tudo em nossa cultura, especialmente a linguagem e a alimentação, sejam de modo a inferiorizar os animais. Com esse ato, a espécie humana torna-se lamentavelmente inimiga de si mesma, seja por acabar com a própria casa onde habita, seja por inferiorizar outros seres, esquecendo-se de que também é um animal, e como todos os outros, depende de uma cadeia ecológica baseada principalmente na cooperação. Ellen Augusta Valer de Freitas Bióloga ]]> O Natal da 2804 Estou inspecionando os utensílios de um natal da cultura ocidental. Primeiro caem as luzes da China nas minhas mãos. Elas dormem onze meses na caixa Christmas, que se encontra no sótão. Quem as montou? Uns dos milhares de operários que trabalham 60 horas por semana ? Por um pouquinho de arroz? Não sei. Vejo as bolinhas da árvore de natal, algumas estrelinhas que os filhos fizeram anos atrás com os dedinhos pequeninos, um anjo com uma asa quebrada, algumas velas e o presépio. No presépio há um casal, uma criança, anjos, pastores, ovelhas, um burro e uma vaca. A vaca é marrom, mas ela me lembra uma vaca branca com manchas marrons, que vi no último inverno. Visitei uma fazenda no interior de Santa Maria não-sei-do-que. Lá estavam centenas de vacas no pasto, a maioria brancas, algumas marrons e poucas brancas com marrom. Não sei se eram de raça, sei que estavam pastando. Uma estava na cocheira e me olhou com seus olhos grandes, calmos e muito profundos. O capataz me contou que ela daria cria dali a pouco tempo, e não podia ir para o pasto. Ela já tinha dado muitas crias, a última foi problemática, e agora eles queriam observar o animal. Na orelha dela vi a plaquinha: 2804. Minhas mãos acariciaram-lhe a cabeça e em seguida ela lambeu meu braço. Sabem como a língua de uma vaca é áspera? Quase doeu. E aqueles olhos! Ela me olhou de uma maneira que nunca vou esquecer! Ela queria me pedir alguma coisa, mas o quê? E de novo aquela língua. O que será que ela queria? Ela tinha alfafa, milho, água, e a cocheira estava limpa. Quando retornei para a visitar, há uma semana, ela não estava mais na fazenda. O capataz primeiro nem se lembrou, pois eles possuem centenas de vacas, mas depois que ele deu uma olhada no livro, contou que ela dera cria, um terneiro macho. Nove crias ela deu ao longo da vida, cada ano uma. Três não sobreviveram, mas isso é normal quando os terneiros não ficam com a vaca, disse ele. Por que não ficam com a vaca? Pergunta boba! Para que ela entre logo no cio novamente e produza mais. A fazenda vive disso. Ela vive dos berros fortes das vacas e dos berros fininhos dos terneiros. Me lembrou de uma história da Argentina. Alguns vaqueiros atravessaram um lago com um lote de gado numa balsa. As vacas estavam amarradas na balsa com correntes pelos chifres, para não caírem. Mas um terneiro caiu na água e se afastou logo da balsa. Os vaqueiros não conseguiram salvar o bichinho. A perda econômica foi pequena. A mãe vaca berrou desesperadamente e tentou se livrar da corrente para salvar o filho. Mas a corrente ficou firme. A vaca não desistiu e lutou com forças sobrebovinas. No momento em que ela desapareceu na água, ficaram na balsa a corrente e o seu chifre. Amor materno bovino! A vaca 2804 então não estava mais na fazenda. Todos os seus filhos desapareceram tão logo nasceram. Posso imaginar como ela berrou. O capataz contou que foi sorte ter conseguido vender a vaca, mesmo assim tão velha. Foi para a capital do estado, 600 km dali. Pensei nos transportes dos animais, horas a fio no sol, sem água e na chuva, o vento frio, o quanto sofreu na viagem. E nas curvas, o chifre da vizinha não se cravou nos lados dela? Um buraco na estrada, será que ela caiu? Alguma outra não terá caído em cima dela? Quantos animais morrem nas viagens em meio ao sofrimento que é de todos? Chegando ao frigorífico pode ser que tenha ganho água, talvez não. Os métodos na maioria dos frigoríficos são arcaicos. Dificilmente a marreta garante uma morte rápida. Ouvi de um funcionário que às vezes os animais ficam dez minutos conscientes, sentindo tudo o que acontece, tirarem suas patas, abrirem sua barriga, tirarem seu chifre, não sei o que mais. E a nossa 2804? Ninguém no frigorífico tomou nota das plaquinhas. Branco com marrom? Ih! Muitas! Amigo, amiga, se você encontrar no seu espeto, no seu prato um pedaço da 2804, diga a ela, não ao pedaço, ... deixe pra lá! Feliz Natal! E um Feliz Ano Novo! Úrsula Projeto Pró-Animal (conheça o site do Projeto aqui) ]]> A Solidariedade Animal A Solidariedade Animal       A etologia, ramo da biologia que estuda o comportamento animal, tem descoberto e referendado aquilo que as pessoas que convivem com animais descobriram intuitivamente há muito tempo: que os animais sentem emoções, possuem inteligência e poder de comunicação. Inclusive, já foram identificados padrões de linguagem em alguns bichos, sendo os casos mais conhecidos os dos golfinhos, dos macacos e papagaios. Também foi constatado que, a exemplo do ser humano, os animais têm hábitos sociais, aprendem uns com os outros, estranham as perdas, organizam-se coletivamente, possuem variações de QI entre os da mesma espécie e demonstram atitudes típicas de elaboração lógica, como os casos de salvamento e de recusa à alimentação (tentativa de suicídio) em decorrência da morte do companheiro de espécie ou não, ou ainda da morte do dono.       Mas, além de sentir tudo aquilo que os humanos sentem e expressam, os bichos impressionam pelos gestos de solidariedade e altruísmo. E não trata-se somente daqueles casos em que a fêmea de uma espécie adota e amamenta um filhote de outra espécie. São verdadeiras lições de vida para nós, seres humanos, por vezes egoístas e presunçosos.       Na década de 80, em Arkansas (EUA), um recém-nascido abandonado num bosque dentro de saco plástico foi salvo por um gato que, para protegê-lo do frio da madrugada, aqueceu-o com seu corpo até conseguir socorro. Slowly, o gato herói, tinha o hábito de voltar para a casa de seus donos antes do anoitecer. Certa manhã, ao acordar sem encontrá-lo, estes foram procurá-lo no bosque e o encontraram dentro do saco plástico. Ele começou a miar estranhamente, os donos se aproximaram e o encontraram lambendo o bebê.       Em 1996, no zoológico de Brookfield, em Illinois (EUA), um garoto de 3 anos foi salvo pela gorila Binti Jua . Ao perceber que o garoto havia caído no recinto, a gorila pegou-o no colo e o entregou aos guardadores do zoológico, que tentavam evitar o ataque de outros primatas jogando neles água.       Outro caso famoso aconteceu em 1992, na cidade italiana de Abruzzi, quando um bebê abandonado pela mãe foi salvo da morte pela cadela Gina, que o arrastou até perto de seus filhotes e o amamentou por quase quatro semanas. O bebê foi descoberto pelo fazendeiro Aldo Stefani, dono da cadela.       Em 1992, no Japão,o gato Nekochin, depois de abandonado, percorreu mais de 100 quilômetros para voltar à casa de seus donos, na província de Shiga. Caso semelhante ocorreu emm 1991, com Fido, um cachorro da raça belga, que percorreu 1500 quilômetros para encontrar seus donos. Demorou dois anos para sair da Bélgica e chegar à Espanha, para encontrar a belga Lise Deremier e o marido espanhol. A dona encontrou Fido parado na porta de sua casa, e a emoção foi tanta que o cachorro chorava feito criança.             Em Tenesse (EUA), Sadie, fêmea da raça labrador, surpreendeu seu dono em uma caçada. Depois de sumir por algum tempo, retornou com um pequeno filhote de bambi que havia perdido a mãe morta pelo caçador. Sadie adotou-o com tal desvelo que chegou a ceder ao filhote sua própria casa, ficando ela na chuva.       Outro caso emocionante é o da gata Daisy, que foi alimentada por um casal que passava férias no norte do Estado de Nova Iorque. Terminadas as férias, o casal abandonou a felina e voltou para casa, na cidade de Nova Iorque. Um mês depois, o casal foi surpreendido na porta de casa com os miados de Daisy, que carregava em sua boca um dos seus filhotes. Em seguida, fez mais quatro viagens trazendo de cada vez um dos filhotes.       Mesmo num ambiente hostil, travado pela guerra e violência humana, os animais dão exemplos de amor, lealdade e fidelidade. É o caso da cadela Bena, de quatro anos, que foi deixada para trás quando a família Radanovic abandonou a Krajina (na Croácia) durante ofensiva croata na guerra, para refugiar-se em Ruma. Depois de percorrer 500 quilômetros em quatro meses, Bena chegou com as patas ensangüentadas, sem unhas e com 22 quilos a menos. Esse é um caso recente que serve de exemplo para os donos ingratos que abandonam seus bichos de estimação.       Em algumas situações, os animais parecem demonstrar uma certa paranormalidade e, até mesmo, um sexto sentido. É o caso de Hector, um cão terrier que pertencia ao primeiro-oficial a bordo do navio holandês Simaloer e que foi acidentalmente deixado em terra quando o navio foi de Vancouver (Canadá) para Yokohama (Japão). Hector andou por todo o cais antes de escolher e entrar no único navio, dos cinco que ali estavam, cujo destino era o Japão. Na viagem, o cão não mostrou nenhuma agressividade em relação à tripulação. Depois de dezoito dias, o barco atracou em Yokohama e Hector começou a latir para uma pequena embarcação ao lado do Simaloer. Esse pequeno barco veio do Simaloer e um dos dois homens a bordo era o seu dono.       No Canadá, em 1996, uma família foi salva do incêndio porque quando este começou, os três filhotes de gato correram para a janela dos donos da casa e miaram até acordá-los, permitindo que saíssem ilesos e pudessem chamar os bombeiros. Em meio à lágrimas de gratidão, a dona dos animais reconheceu o salvamento da família aos animais.       Em fevereiro de 1939, cães de São Bernardo dos Alpes Suíços recusaram-se pela primeira vez a dar sua caminhada matinal com os monges do local. Cerca de uma hora depois, uma avalanche cobriu a parte da estrada onde todos eles deveriam estar.       Assim como esses, há inúmeros casos de pessoas que foram salvas de tragédias por pressentimento e alerta de seus bichos de estimação.       Os cães descendem dos lobos selvagens e mesmo com a domesticação e milhares de anos carregam instintos típicos de sua espécie desde a sua origem. Uma dessas características é a convivência em grupo, em matilha. Quando solitário, o cão substitui a ausência dos companheiros de espécie pelos seus donos humanos, onde cada pessoa da casa é reconhecida, entre várias coisas, pelo seu cheiro particular. Por isso, os humanos nunca deveriam desfazer-se de seus fiéis companheiros "de espécie". A família humana da casa também é a família canina. Não é a toa que à noite, quando solto no pátio, o cão prefira dormir junto a uma das portas de entrada da casa, pois só assim obterá a proximidade máxima dos companheiros da matilha. Dormir juntos é uma característica desta espécie. Outro exemplo bem comum é a reação agressiva do cão quando tentam lhe tirar um osso. Na competição pela sobrevivência, talvez ele imagine que o dono também queira saborear aquele apetitoso osso cheio de saliva, terra e grama.       Mas assim como o cachorro, todos os animais, sejam domésticos, cativos ou selvagens, possuem reações e sentimentos como os humanos. Sentem tristeza, nostalgia, desapontamento, amor, sofrimento, afeto, amizade, medo, esperança, felicidade, raiva, compaixão, sonhos, pesadelos, ciúmes, solidão, solidariedade, curiosidade, etc. Talvez, num dia próximo, se cumpra a profecia de Leonardo da Vinci: "Chegará um dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais e, então, um crime contra qualquer um deles será considerado crime contra toda a humanidade".       Para que possamos nos sensibilizar, e quem sabe começar a vivenciar o pensamento de Leonardo da Vinci, veremos mais dois casos surpreendentes envolvendo animais. Em 1993, na Rússia, um cão ficou o tempo inteiro ao lado do caixão em que estava sendo velado o seu dono. O velório estava acontecendo no próprio apartamento (no 6º andar) do defunto. De repente, o cão surpreendeu a todos saltando pela janela e espatifando-se no chão. Todos interpretaram aquele gesto como sendo um suicídio do cão frente ao sofrimento pela perda do amigo.       Num instituto de pesquisa, a chimpanzé de nome Washoe, mantida em cativeiro, arriscou a vida pulando uma cerca eletrificada para salvar uma outra chimpanzé que estava se afogando, e que ela nunca havia visto. A macaca heroína demonstrou empatia, ou seja, teve a capacidade de se colocar na pele de outro ser, coisa inexistente em muitos seres humanos. Márcio Linck é Ativista da UPAN –União Protetora do Ambiente Natural de São Leopoldo ]]> A Soberba Vivisseccionista [Enviado à Folha de S. Paulo em 12/11/07] Já na sua primeira frase, o secretário regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, de Campinas, SP, o farmacologista João Ernesto de Carvalho, comete um grave erro, ao escrever coisas que não constam do artigo de minha autoria publicado pela Folha de S. Paulo no sábado 09/11/07, no qual defendo que a ciência pode abrir mão do uso do modelo animal-vivo, por servir-se deste modelo sem alcançar sucesso na “cura” dos males que afetam enorme parcela dos seres humanos ao redor do planeta. No artigo de minha autoria não se pode ler uma frase sequer negando que a pesquisa vivisseccionista tenha produzido drogas para tratar dos sintomas das doenças crônicas e agudas que representam a causa da maior parte das mortes humanas a cada ano. O que afirmo é que apesar das mais de seis décadas de intensas pesquisas vivisseccionistas não foram cumpridas as promessas de “cura” do câncer, do diabetes, da hipertensão, dos distúrbios circulatórios, da vulnerabilidade às infecções, do mal de Alzheimer, do mal de Parkinson, da esclerose múltipla, etc. Minhas afirmações não são “sem fundamentação científica”, nem “totalmente inverídicas”, conforme o afirma o autor da carta divulgada no Painel do Leitor, da Folha de S. Paulo no dia seguinte ao da publicação do meu artigo. O autor afirma que “é muito fácil de comprovar” que existem drogas que “curam” ou “controlam essas doenças”. Não nego que existam drogas que minimizam os sintomas de certas dessas e de outras doenças, em “alguns” pacientes humanos. A verdade é que as mesmas drogas não resultam na “cura”, nem no “controle dessas doenças” em muitos outros humanos. Se o resultado desses experimentos fosse “científico”, não deveria resolver o mesmo problema em todos os casos? Por que os fracassos? Ao defender a abolição da vivissecção, não afirmo que nada do que se fez até hoje teve qualquer resultado. O que afirmo é que os resultados são pífios, levando-se em conta seis fatores: 1.) mais de meio século de vivissecção seguindo um único modelo que promete ser capaz de levar o cientista aos resultados esperados, sem que os males humanos tenham sido curados pelas drogas elaboradas com base neste modelo; 2.) investimentos trilionários feitos por governos e empresas na produção de drogas, não na prevenção das doenças humanas; 3.) a soberba dos vivisseccionistas que afirmam junto à opinião pública que seu modelo de investigação é imprescindível para a produção do conhecimento humano sobre as patologias devastadoras da saúde humana; 4.) o número ínfimo dos casos de “cura”, comparados ao assombroso número  de “mortes”, sofridas por humanos que fizeram uso das drogas criadas e vendidas a eles para livrá-los das doenças; 5.) a diversidade da expressão de uma mesma patologia em diferentes sujeitos humanos, algo impossível de ser “espelhado” no modelo animal-vivo empregue pelo vivisseccionista; 6.) a soberba dos vivisseccionistas que afirmam que “toda a ciência” estagnaria se a vivissecção fosse abolida. Com relação a esta última questão, é certo que a ciência vivisseccionista deixaria de existir, mas daí a afirmar que “a ciência” deixaria de existir, e que mergulharíamos nas trevas medievais, não faz o menor sentido. Toda a ciência teria enormes progressos, porque os investimentos hoje consumidos pela vivissecção seriam destinados a pesquisas relevantes para a saúde humana, não para a indústria química lucrar. Considerando-se que o quadro das doenças devastadoras que afetam a população humana ao redor do planeta não diminuiu nas duas últimas décadas, apesar das centenas de milhares de drogas comercializadas pela indústria farmacêutica com a promessa ao paciente e aos seus familiares, de “cura”, uma cura que na maioria absoluta dos casos nunca chega, e considerando que os investimentos em dinheiro, cérebros, equipamentos, espaço físico e poder intelectual centrados no modelo vivisseccionista não surtem efeitos proporcionais ao seu montante, não seria razoável concluir que todo esse montante devesse ser multiplicado ainda mais, com o custo que representa para os mais de 500 milhões de animais exterminados nesses experimentos anualmente, ao redor do mundo vivisseccionista. Portanto, o autor não deveria “ficar estarrecido” ao ler as “afirmações” contrárias à ciência vivisseccionista. Se fizer um esforço mínimo para botar na ponta do lápis o investimento que este modelo de ciência consome dos governos, das agências financiadoras e do bolso dos pacientes ou de suas famílias, que pagam remédios caríssimos que nunca os livram de todos aqueles males, o presidente regional da SBPC de Campinas poderá concluir que algo está dando errado, algo volumoso está escapando pelos ralos das pias dos laboratórios vivisseccionistas, não apenas o sangue dos animais exterminados nos experimentos, mas também a inteligência científica da juventude forçada a moldar-se a este único modelo para a cura das doenças humanas, quando esta mesma inteligência deveria ser direcionada para a busca da prevenção da maioria destas doenças, que não são de ordem genética, mas “ambiental” e “cultural”. Quanto aos produtos de higiene pessoal e cosméticos, é certo que até a década de 80 do século XX, na Europa e nos Estados Unidos eram necessariamente testados em animais vivos (Draize Test e LD 50), levando à morte em agonia milhões de coelhos, para citar apenas uma das várias espécies usadas nestes testes, em cujos olhos os componentes eram testados. Mas, se fosse buscar um pouco mais de informação, o senhor João Ernesto de Carvalho já teria lido alguma coisa sobre o que se fez para eliminar definitivamente tais testes na produção desses itens. Aliás, a comunidade européia decidiu que a partir de 2010 não poderão mais ser comercializados tais produtos em seu território, exatamente por serem testados em animais. Estarrecida fico eu, com sua desinformação.   Quanto aos aditivos colocados nos alimentos, é de lastimar que não tenha lido o quanto são tóxicos e o quanto respondem pelo alto índice de câncer em humanos. Em outras palavras, em vez de defender a vivissecção como forma apologética de defesa dos químicos artificiais usados pela indústria da comida para garantir que o produto não apodreça dentro das latas e sacos antes de serem consumidos pelos humanos, o missivista deveria lamentar que a comida humana tenha se tornado um produto sintetizado a tal ponto que os nutrientes esperados que deveriam garantir a saúde humana não mais se fazem presentes nela. Em seu lugar foram introduzidos, pela pesquisa vivisseccionista, sintéticos de todo tipo, cor, sabor e aroma. A vivissecção é responsável, sim, por esta desgraça na qual a dieta humana se tornou. Isto não é um mérito da pesquisa vivisseccionista. É resultado danoso. Não pode ser computado como algo positivo, algo em cujo nome se deva defender a prática vivisseccionista. Quanto aos adoçantes, é verdade, foram desenvolvidos em modelo animal vivo, e veja o que se descobre somente vinte anos mais tarde, com relação ao aspartame: é cancerígeno, além de alterar o metabolismo de quem o usa prolongadamente, fazendo com que a pessoa não consiga mais perder o excesso de peso. Quanto às vacinas, é preciso dizer que o próprio Sabin reconheceu que perdeu uma década de sua vida seguindo o caminho errado ao adotar o modelo animal, quando seus antecessores haviam acumulado informações valiosíssimas obtidas dos estudos feitos em humanos infectados. O “trabalho na prevenção [da pólio] [afirma Sabin] foi atrasado por uma concepção errônea da natureza da doença humana, baseada em falsos modelos experimentais em macacos”, apud Greif & Tréz, A verdadeira face da experimentação animal, 2000. Os cientistas haviam encontrado o vírus no trato digestivo, mas os que usavam modelo animal insistiam em fazer a vacina centrando-se nas vias respiratórias. Com isso não se está a dizer que todo esforço de tantas pessoas inteligentes e bem-intencionadas nunca resultou em nada. O que se deve entender, é que todo este esforço, se empregue em modelos não vivisseccionistas, também teriam levado a resultados valiosos. Hoje, a lógica imperante é a seguinte: se as descobertas não levarem à proposição de nenhuma droga, mas à proposição de projetos direcionados para redesenhar a forma como estamos vivendo e comendo há mais de três décadas, tal modelo, que não traz lucro algum à indústria das drogas é varrido para debaixo do tapete. Isto é o que ocorre hoje com as pesquisas não voltadas para a venda de drogas, mas para a prevenção das doenças. Quanto à sua última questão, a da coerência moral, não há dúvida de que é a única contribuição valiosa de seu artigo: é preciso abdicar de produtos de origem animal, seja de animal vivo ou morto, e de todos os outros que foram produzidos pela indústria da vivissecção. Obrigada por escrever que quem não segue à risca o princípio da não-violência é hipócrita. Concordo absolutamente consigo. Aliás, procuro viver há mais de duas décadas de acordo com este princípio. Quanto ao último parágrafo de seu artigo, o que se refere ao aumento na expectativa de vida, os próprios médicos reconhecem que ele se deve em especial aos hábitos de higiene e aos cuidados com a alimentação, incorporados ao longo do século XX, por boa parcela dos humanos esclarecidos, não à vivissecção. Obrigada por rebater minha posição. Atenciosamente, Profa. Dra. Sônia T. Felipe / UFSC Autora de: Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2007, 351 p.) e, Por uma questão de princípios (Boiteux, 2003, 211 p.) ]]> Vivissecção: um negócio indispensável aos interesses da ciência? Cientistas e pesquisadores que investigam as doenças que afligem humanos são treinados em centros de pesquisa na prática criminosa da vivissecção, proibida pela Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, quando há métodos substitutivos. Em muitos casos, a vivissecção é o único método no qual a inteligência científica recebe treinamento. Nos últimos quarenta anos, a pesquisa biomédica centrou esforços em experimentos com “modelos” obtidos às custas do sofrimento e morte de animais não-humanos, usados para espelhar as doenças produzidas num ambiente físico e mental humano. Entre essas estão o câncer, os acidentes vasculares, a hipertensão, a hipercolesterolemia, o diabetes, a esclerose múltipla, as degenerações neurológicas conhecidas por mal de Parkinson e mal de Alzheimer, a “depressão” e  outras formas de sofrimento psíquico. Ratos, camundongos, cães, símios, cavalos, porcos e aves são comercializados no mercado vivisseccionista. Só para dar um exemplo: Calcula-se que sejam 2, 6 milhões de humanos sofrendo de esclerose múltipla ao redor do planeta. Os medicamentos obtidos a partir da vivissecção de roedores fracassaram. Cientistas reconheceram que a causa da doença é “ambiental”, contribuindo para ela diferentes genes, não apenas um. Os medicamentos disponíveis hoje, de origem microbiana, não resultaram da vivissecção, e sim da codificação da estrutura físico-química deles (Greek & Greek, Specious Science).   Não sendo aquelas doenças de origem genética nem hereditária, qual seria o propósito científico em se insistir na arquitetura do modelo animal para buscar a cura delas? Talvez se possa saber a resposta, olhando para os interesses financeiros (reais “benefícios humanos”?), em jogo na base, em volta e por detrás da atividade vivisseccionista acadêmica e dos negócios que ela encobre. Consultando-se a tabela de preços das empresas que fornecem camundongos geneticamente modificados para pesquisas vivisseccionistas, por exemplo, começamos a ter uma idéia do que se esconde por detrás do argumento do “benefício humano”, que os vivisseccionistas defensores da legalização desta prática anti-ética usam como escudo para protegerem-se das críticas abolicionistas. A pesquisa com animais vivos “beneficia interesses humanos”: o preço de um camundongo geneticamente modificado, para citar apenas uma espécie usada na vivissecção, pode variar de U$ 100,00 a U$ 15.000,00 dólares a unidade. Os utensílios para o devido manejo de um animal desses não são oferecidos por preços camaradas. Um aparelho para matar, de forma “humanitária”, animais usados na pesquisa, desativando-lhes as enzimas cerebrais, custa algo em torno de U$ 70.000,00 a unidade. Aparelhos para conter ratos, cães, gatos e macacos, podem custar entre U$ 4.500,00 a U$ 8.500,00 a unidade. Os “produtores” de animais também são parte desta cadeia que forma a “dependência da ciência em relação à vivisseccção”, sem a qual ela não pode sobreviver hoje, e à qual a vida e a saúde humana estão algemadas. Em 1999, relatam Greek & Greek, a venda de camundongos nos Estados Unidos alcançou 200 milhões de dólares. A de outros animais chegou a 140 milhões de dólares. Mas, os “benefícios humanos” aos quais os vivisseccionistas se referem em sua defesa pública da regulamentação da vivissecção no Brasil, não se restringem apenas ao que os empresários produtores de animais e fabricantes de aparelhos para contê-los nos biotérios e laboratórios faturam. Também os editores das revistas, jornais e livros são parte desta comunidade humana “beneficiada” pela vivissecção. E, finalmente, o benefício humano mais espetacular está no faturamento da indústria química e farmacêutica, uma cadeia de negócios ao qual estão atreladas todas as farmácias ao redor do planeta e todas as pessoas que compram medicamentos alopáticos na esperança de cura ou alívio de seus males, e alimentos processados, cujos componentes levaram os animais a sofrerem o Draize Test e o LD 50. Mas, quando os vivisseccionistas publicam artigos defendendo a legalização de sua prática anti-ética, a de matar animais para inventar modelos que possam espelhar doenças humanas, mesmo sabendo que cada organismo tem sua própria realidade ambiental e não existe um meio que possa curar uma mesma doença em todos os indivíduos, pois cada um a desenvolve de modo peculiar, os “benefícios contábeis” e os “benefícios acadêmicos” acumulados em todos os elos dessa cadeia vivisseccionista são escondidos do leitor. Ninguém publica, no Brasil, um relato minucioso do montante destinado pelas agências financiadoras à pesquisa vivisseccionista. Por isso, não temos conhecimento dos custos do fracasso vivisseccionista (AIDS, câncer, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, diabetes, colesterolemia, doenças ambientais, muito mais do que genéticas). A pesquisa com animais levou a indústria farmacêutica ao apogeu nos últimos vinte anos. Não casualmente, nestes últimos vinte anos, multiplicaram-se as mortes por insuficiência circulatória, hipertensão, diabetes, câncer, síndromes neurológicas degenerativas, cirrose hepática e infecções. O componente ambiental dos males humanos não pode ser espelhado em organismo de ratos e camundongos. Ao mesmo tempo, vivisseccionistas insistem em defender a lei que legalizará sua prática, dando a entender ao público leigo que a vivissecção é a “saída” para a cura dos males humanos. Seus artigos “científicos” não produzem efeito, nem sobre seus pares vivisseccionistas. Como poderiam produzir efeitos sobre a saúde humana? 80% dos artigos publicados em revista especializada são citados no máximo uma vez em outros veículos, e 50% dos artigos vivisseccionistas jamais são citados, seja na mesma, seja em outras revistas (Greek &Greek). Os milhões de animais mortos para que tais artigos sejam publicados e para que seus autores os contabilizem em sua produtividade acadêmica, tiveram suas vidas destruídas para nenhum outro “benefício humano”, a não ser dar a seus autores o título de mestre e doutor, ou a concessão de bolsas de produtividade. São esses os reais “benefícios humanos” da prática vivisseccionista, dos quais ninguém pode abrir mão? Sônia T. Felipe, doutora em Filosofia Moral e Teoria Política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, FLAD; pós-doutorado em bioética com recorte em ética animal,  Professora e pesquisadora da UFSC, orienta monografias, dissertações e teses em bioética, ética animal, ética ambiental, direitos humanos e teorias da justiça. Autora de, Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2007) e Por uma questão de princípios (Boiteux, 2003). Colaboradora da Revista Pensata Animal, www.sentiens.net. ]]> Seus netos serão vegetarianos ! (publicado originalmente em http://netosvegetarianos.blogspot.com/ ) O vegetarianismo tem avançado rapidamente, você ainda não percebeu ? Não adianta nos criticar, mas seus netos serão vegetarianos! Hoje você nos critica, fala em leis da natureza que não se aplicam a todos os seres humanos, esquece até que somos todos animais, para se colocar além da natureza e acima de todos os outros seres. Hoje você faz vista grossa à crueldade que existe em todo e qualquer consumo de produtos de origem animal.